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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cicloturismo - Balneário Cassino à Barra do Chui - Planejamento (Parte II)


Olá visitantes, bem vindos;

Como consta no post "... Roteiro (Parte I)":
Vou contar-lhes sobre minha viagem feita a bordo de bicicletas durante o Carnaval de 2013, iniciando o percurso na estátua de Iemanja, na Praia do Cassino, até os molhes da Barra do Chui, exclusivamente pela praia, acompanhado de minha namorada (Keith) e amigos - todos de bike!

As postagens ficaram dividas em 3 partes; Roteiro, Planejamento e Viagem. Para que, assim, cada parte não seja longa de mais para ser lida e, possa ser mais específica do que um grande texto, falando de tudo.
(clique aqui para ir a "Viagem" - parte 3)


"Planejamento" - parte II:


Uma bicicleta andando na praia não é muito rápida, fato.. fizemos um teste a 10km/h em uma brisa contra, e era tão devagar que era difícil ficar de pé.. essa seria nossa velocidade de planejamento já que qualquer ganho além disso seria uma vantagem. Sobre nosso estado físico.. bem, não somos atletas profissionais nem "assistidores" de tv.. Ela é vegetariana, eu não. E costumamos correr algumas vezes por semana..

Assim, para este passeio cicloturístico, levantamos a seguinte meta:
  • 2 horas pedalando (entre 7 e 9hrs), parando 30 minutos para descansar; 
  • Seguido de 2 horas pedalando (entre 9:30 e 11:30), parando para descansar, almoçar e se proteger do sol até as 14hrs; 
  • Pedalando mais 2 horas (entre 14 e 16), descansando 30 minutos; 
  • (E, por fim) Pedalando mais 2 horas (entre 16:30 e 18:30) para terminar o dia, montando acampamento. 
Logo, seguindo esta meta, em 2 noites estaremos chegando à Barra do Chui.

Voltando para o planejamento; como montar a "parafernalha" numa bike simples, em uma viagem de cicloturísmo pela praia?
Barraca, sleeping, comida e roupas.. vão onde? As lojas virtuais de bicicletas dispõe de muitos bagageiros e alforges.. mas comprar pelo conjunto completo, de bagageiros dianteiro e traseiro, além dos alforges dianteiro e 2 traseiros, o "somante financeiro" é tão alto quanto comprar um bicicleta nova... fora o frete!
Daí não né? Fui buscar idéias em fóruns e encontrei algumas imagens interessantes para fazer o "Ctrl+c", vejam:
Caixote plástico sobre alforge baratinho e paralamas
Baú (Gow G33) de moto, paralamas e garrafinhas do garfo!
Malas de lona como alforges traseiros laterais
Porta Calhas como Porta Barracas (show!)
Que tal um reboque? :D

Ok, com estas imagens e algumas outras, projetei nossas bikes (minha e Keith)..
Vamos utilizar 2 bagageiros galvanizados, desses pretos e finos (os de alumínio são caros e quebram). Sobre os bagageiros colocamos 2 caixotes plásticos, um grande (recolhido da praia!) e um pequeno. Sobre o caixote pequeno vamos colocar as portas-canaletas, como porta-barraca. Colocamos também 2 porta garrafinhas (caramanholas) em cada uma das bikes.. pensamos em colocar no garfo dianteiro mas, ainda é uma dúvida. Cada bike ainda conta com um porta treco no quadro, para pequenas coisinhas.. Uma pochete que tenho serviu direitinho como alforge de guidão.. colocamos uma buzinha trim-trim na bici da Keith e uma plin-plin na minha.. coloquei paralamas na minha bici também e mandei o meu paralamas que tinha para a Keith..
No fim, montamos isto aqui:

Bici da Keith, com caixote e o porta-barracas
Minha bicicleta, com para-lamas e caixote

Com as bicicletas montadas, me voltei para mais planejamento:
O que comer e levar nestes dias? E não digo apenas comida e roupa.. digo quais alimentos, quais medicamentos, quais ferramentas, quais roupas, quais etc.. e não quero levar muita coisa, devido ao peso, nem pouca coisa, devido a contra-tempos.. então, após leituras, concluí que seria mais fácil separar tudo em 4 "frentes":

  • Cicloturismo "quarto" > roupas, toalhas, sleeping, barraca, lonas, etc
  • Cicloturismo "cozinha" > alimentos, panelas, talheres, pratos, utensílios, etc
  • Cicloturismo "banheiro" > higiene pessoal, remédios, pomadas, etc
  • Cicloturismo "oficina" > ferramentas, material reserva, etc

Por segurança, vamos considerar comida para mais uma noite (total de 3) e, como o Farol do Albardão é uma base habitada da Marinha, bem no meio do caminho, vamos levar água para dois dias e abastecer alí o que estiver faltando (ou seja, cerca de 4L/p.p. em 2 caramanholas e 1 garrafa pet). Para amenizar o peso, não vamos levar fogareiro nem nada parecido, afinal, é pouco tempo viajando e um churrasco vai estar sendo preparado em nossa chegada (segredo). Então, tudo que levarmos para comer será tipo abrir e comer e, para isto, fizemos a seguinte lista:

Cicloturismo "cozinha":
Nozes, castanhas, amendoim, granola, aveia, melzinho, barra de cereal, biscoito doce, biscoito salgado, maça, mexerica, uva passa, banana passa, damasco, cenoura, goiabada, salame, queijo curado, sardinha em lata, bolo, pão(feitos no dia de sair), sal e açúcar. Para completa a cozinha, vamos levar ainda as pastilhas de cloro, filtro de papel, isqueiro, uma leiteira, uma caneca alumínio, faca serrada, garfos, pratos plásticos e lona.

Em Cicloturismo "quarto" temos: Barraca, sleeping (de casal), chinelo, toalha esportiva, tênis, meia, cueca, sunga, bermuda, moleton, relógio, camiseta, capa de chuva, quebra vento, colete de sinalização, óculos escuros, boné, gorro e máquina de fotos.

Em Cicloturismo "banho" temos: Dipirona, protetor solar, Bepantol, Antiséptico, Gazes, sabonete, shampoo, escova dentes, escova cabelos, pinça, bandaid, papel higiênico, gelol, "washinass" *, repelente, protetor solar, cortador de unha, desodorante.

Em Cicloturismo "oficina" temos: chave de boca 10 a 15, chave L de 4,5 e 6mm, chave fenda e philips, canivete suiço, tesoura, arame, cabo, alicate corte, alicate boca, fita isolante, fica crepe, remendo de pneu e cola, lixa fina, vela, luva pigmentada e apito..

É bastante coisa né? Também acho.. parece que vou para a Lua ou algum lugar tão ermo quanto isso.. me lembra a cena de filme em que a mãe enrola espuma envolta do filho, para ele ir brincar, rs.

Não coloquei quantidade pois acho mais interessante você leitor saber o que levar e escolher o quanto quer levar... Entretanto, encontrei um post tão completo quanto qualquer outro, com coisas de bagagem, que vai deixar essa lista aqui (muito) pequena. Vale apenas acessar e ler (inclusive comentários) deste link: Bagagem do Cicloterras

E achei outras coisas, que considerei ótimas, como sugestões de arrumação:

Abaixo seguem mais dois blog sobre bicicletas, cicloturísmo e dicas:
livrevoosolitario.wordpress.com/
igorvargas.blogspot.com.br/

Com isso concluo a parte de planejamento;
Percebo, pela foto de minha bicicleta (preta), que o caixote está torcido.. certamente isso fará com que o caixote não aguente muito peso e/ou trepidação.. tenho que tomar cuidado. A minha bike vai ficar encarregada da "cozinha", "oficina" e parte do "quarto".
A bicicleta da Keith está bem, e nela vamos colocar a barraca e o sleeping, que ocupam muito volume mas são leves e colocar o que restar do "quarto" (na verdade, o que restar do "quarto" vai parar a bici preta).

Se houver atualizações até nossa saída eu posto aqui e, depois que voltarmos da viagem, continuo com a Parte III!
Asta!


* "Washinass" é algo oque aprendi a usar quando era escoteiro. É uma daquelas bisnagas de ketchup/mostarda que haviam nos restaurantes e bares. Uma garrafinha de água com bico tbm serve. Completando o washinass com água e, com seu bico, é possível transforma-la em uma ducha higiênica, sem a necessidade de maiores explicações.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cicloturismo - Balneário Cassino à Barra do Chui - Roteiro (Parte I)

Olá visitantes, bem vindos;

Vou contar-lhes sobre minha viagem feita a bordo de bicicletas durante o Carnaval de 2013, iniciando o percurso na estátua de Iemanja, na Praia do Cassino, até os molhes da Barra do Chui, exclusivamente pela praia, acompanhado de minha namorada (Keith) e amigos - todos de bike!

Essa postagem vai ficar divida em 3 partes; Roteiro, Planejamento e Viagem. Para que, assim, cada parte não seja longa de mais para ser lida e, possa ser mais específica do que um grande texto, falando de tudo.
(clique aqui para ir ao "Planejamento" - parte 2)
(clique aqui para ir a "Viagem" - parte 3)

"Roteiro" - parte I:

A cidade em que moro atualmente (Rio Grande, desde 2007) tem, entre outras opções, um passeio "turístico" pela praia que me chama muita a atenção e que sempre me deixou com vontade de faze-lo. Essa praia, chamada de Praia do Cassino, já foi orgulhosamente conhecida pelos visitantes e moradores locais por ser a maior praia do mundo, em extensão contínua de areia, com um comprimento de 250km.
Mas, a verdade é que, com o advento do Google Earth e a ferramente de régua deste software, foi possível verificar que desde os molhes da Barra de Rio Grande, passando pela Praia do Cassino e Praia do Hermenegildo e chegando até a Barra do Chui, existem apenas cerca de 220km de extensão contínua de areia.. e isso, somado a outras medições de outras praias gigantes, colocou-a na 10ª posição no quesito maior praia (em extensão contínua de areia) do planeta... Mas ainda assim ela ainda é a maior do Brasil e possui outras características interessantes para quem gosta de apreciar a natureza.

O Roteiro para o Cicloturísmo

Ainda sobre a história desta praia, nos ermos tempos gaúchos, esse trecho de areia era a única ligação "firme" entre a fronteira com o Uruguai e a mais antiga cidade do Rio Grande do Sul, já que a área de terras que separa estas cidades, entre a Lagoa Mirim e o mar, é uma região cheia de charcos e, entre outros, jacarés.. Existiu até um hotel à beira da praia, no meio do caminho, para os viajantes deste percurso mas que hoje se encontra abandonado.
Assim, e até os dias de hoje, existe uma cultura de utilizar a praia como "estrada" e é possível trafegar facilmente com veículos (carros, 4x4 e caminhões) por esta rota "praial", desde que as condições climáticas sejam favoráveis, claro.



Logo, o cenário do roteiro turístico será este: Percorrer os longos 220km de extensão de areia entre o Balneário Cassino e a Barra do Chui. Mas, percorrer como? Percorrer de carro seria muito fácil e, ao mesmo tempo, arriscado, pois nenhum seguro de carro cobre danos quando seu proprietário o submete ao risco. E esses danos, neste local, são encalhar o carro em um lugar deserto e/ou ter ele "lavado" pelo mar, durante uma maré cheia ou um vento Sul - aproveitando o gancho, aqui o vento Sul (frio e forte) empurra a maré para cima da praia, restando apenas as dunas e o vento Nordeste faz o seu contrário - prefira ir com vento NE. Percorrer a cavalo seria "normal" mas chato, já que o esforço todo fica a cargo do grande bichano e, além de ter que possuir um animal destes, não tem como traze-lo de volta em um ônibus.. teria que ir e voltar sobre seu lombo. A pé é possível . Abaixo consta um relato contando sobre essa experiência.. mas, usar os pés exige alto treinamento e infra estrutura já que existem apenas 2 pontos de apoio (leia-se socorro) durante a viagem; a vila da Praia do Hermenegildo a 180km e o farol de Albardão, a 125km (ambos) da Iemanja do Balneário Cassino.
Então decidimos usar Bicicletas para este perrengue (cicloturismo como alguns diriam). As bicicletas são perfeitas para este percurso. Elas possuem uma velocidade satisfatória para que a viagem não seja nem rápida de mais nem enfadonha de mais. Elas podem carregar alguns quilinhos de tralha. Elas cobram da gente o esforço, e elas podem ser desmontadas e colocadas no ônibus de volta. Bicicletas são o futuro, literalmente. E, como somos em três, utilizamos (nossas) 3 bicicletas do tipo mountain-bike simples.

Parti então para duas frentes de pesquisa; saber sobre quem, neste mundo, teria já feito esse mesmo roteiro e buscar idéias de como transformar as bikes simples em um modelo "estradeiro", sem gastar muito.
Fiquei surpreso com a facilidade em relatos desta viagem. Temos relatos de casal fazendo a viagem no inverno (uff..), família comum (pai, mãe e filho), em solo e em grupos. Abaixo estão alguns links:

Colhido ainda dos links acima, é possível ver que o roteiro é fazível e que existem seis referências durante o percurso; Navio afundado Altair (15km), Farol desativado Sarita (55km), Farolete desativado Vergas (100km), Farol Albardão (125km), Hotel Abandonado (175km) e Praia do Hermenegildo (195km). Estas referências, além de serem pontos de controle do percurso podem servir de abrigo. A seguir tem um arquivo do Google Earth, com os pontos salvos, para download: Google Earth - Arquivo kmz - Pontos de referência

Navio Altair
Farol Sarita
Farolete Vergas
Farol Albardão
Hotel abandonado
Praia do Hermenegildo
Barra do Chui

Destes relatos ainda é possível ver que as maiores dificuldades observadas são;
A área conhecida como Concheiros, localizado entre o Farol Albardão e o Hotel abandonado, por se tratar de um ponto em que a grande quantidade de conchas deixam a areia muito fofa para se pedalar, sendo necessário empurrar a bike por distância consideráveis (algo como até 25km).. mas, mesmo com essa faixa de conchas, em alguns relatos, é possível ler que é fácil cruza-la sem grandes problemas, quando a maré está baixa e a faixa de areia firme é maior.

Concheiros

Além dos Concheiros, a vastidão da praia pode ser monótona, pois é uma planície sem pontos de referência e em alguns momentos, apenas areia e dunas estarão no campo de visão, sem nenhuma pessoa ou veículo (entre o Navio Altair e a Praia do Hermenegildo).
A falta de água, claro, é sensível pois não existem pontos de abastecimento e, para isso, a solução é levar o necessário e, se preciso, se abastecer no Farol do Albardão, levando consigo umas pastilhas de cloro para, digamos, ter segurança com a água ingerida. Fora o farol, diversos arroios estarão pelo caminho. Estes arroios são oriundos das plantações de arroz ou dos charcos da região, por isso, recomenda-se filtra-la, ferve-la (se possível) e ainda assim, usar uma pastilha de cloro. Leve um coletor de água de chuva, se puder (até balde ou panela pode servir para isso).

Mar à esquerda e dunas à direta

Sobre resgates.. não há nenhum relato, graças a deus (na verdade à nós, que tomamos o cuidado de não precisar sermos resgatados). Mas, acredito, ser algo delicado..
Celular não pega durante a viagem. Claro que o Balneário Cassino, o Chui e, de repente, o Hermenegildo sejam providos de algum sinal, mas de resto, nenhuma barrinha vai subir no seu OS/Android 8.0.. E é dito que, no Hotel abandonado, existe um grande "poste" que pode ser escalado para ter maior alcance de antena.. não sei se é verdade e não quero testa-lo.
O Farol do Albardão é base da Marinha e alí você pode conseguir algum resgate.. mas se o tempo estiver ruim (vento sul forte e chuvoso), jipes não irão fazer o serviço e, dificilmente um helicóptero irá busca-lo se não for questão de vida ou morte (vale dizer que a Marinha cobra pelos honorários de um resgate - mas a vida não tem preço).
Se for uma época turística, como o Carnaval ou durante o próprio verão, existem chances de se avistarem frotilhas de jipes passeando pelo roteiro ou até de caminhões dos pescadores.. mas são poucos.. uma média menor que um, destes "eventos", por dia.

Iemanjá do Balneário Cassino

Enfim, acho que por hora, sobre este roteiro, é isso;
Os 220km de praia são ideais para servir como roteiro turístico tipo aventura.. muitas pessoas já o fizeram, diversas vezes e em diversas ocasiões.. A variação de maré é baixa, ao redor de 50cm. O vento NE, que ocorre com predominância no verão, "empurra" a água do mar para fora, deixando uma faixa maior de areia firme para pedalar. O vento Sul é frio e contra, "levantando" a água do mar, restando pouca ou nenhuma pista para bike. Água pode ser conseguida no Albardão e nos arroios, mas deve ser filtrada/fevida/clorificada... e cuidado com o excesso de Sol..

Então, se a meteorologia e o seu bom planejamento permitirem, tudo será tranqüilo...

Astá!