quinta-feira, 28 de novembro de 2013

VIII Volta Ilha dos Marinheiros - 24km - 2/2

Olá novamente leitor,

A alguns dias atrás eu escrevi sobre minha pré-preparação e participação (pela segunda vez consecutiva!), em uma prova de atletismo (corrida) de longa distância e, no meu caso, longa duração (leia aqui).

Bem, a prova já aconteceu e agora falo como foi e como estou;

Eu queria ter chegado a Ilha dos Marinheiros bem cedo.. uma porque os locais de largada não tem onde parar o carro em um lugar protegido do sol e, queria chegar cedo para vender mais cadarços de elástico aos corredores (porque eles são muito bons! quer?).
Mas não foi isso o que aconteceu, pois calculei mal o tempo e saí atrasado de casa. Como a Ilha dos Marinheiros é longe para se ir de carro e, seu acesso pela estrada de terra é ruim, demora-se para chegar lá.. são quase 40km! Daí, para resumir, cheguei faltando apenas 10 minutos para a largada... foi apenas o tempo de armar a bici da Keith e correr para a largada, sem nem ter ido ao banheiro.

Ok, sobre forte Sol, as 09:00, largamos!

Largada VIII Volta Ilha Marinheiros

O local de largada deste ano, a Comunidade Nossa Senhora da Saúde, fica mais para o interior da ilha, de forma que, para chegar ao percurso da prova propriamente dito, ou seja, a estrada que dá a volta em todo o perímetro da ilha, os corredores acabam por perfazer uns 600m.. somados os 600m para percorrer este mesmo percurso na chegada, a prova deste ano teria ao menos 1200m a mais que os "conhecidos" 24km..

Comunidade Nossa Senhora da Saúde

Logo nos 5 primeiros quilômetros se nota o afastamento entre os corredores amadores e profissionais.. e, nota-se também que a ilha ainda não faz tanta questão em receber seus corredores pois, a meu ver, carros trafegavam junto a nós, tentando passar por entre os corredores que estavam espalhados pelo percurso e, pior, levantando poeira fina... isso ocorre pois o percurso é no sentido anti-horário da volta e, assim, os corredores cruzam com todos aqueles carros que chegam a Ilha, sejam atrasados ou de outros moradores.
Pensando agora ainda lembro que um serviço mal feito de abrir valetas na margem da "pista" colocou todo o entulho sobre a estrada, deixando-a ainda mais estreita e perigosa. Fico surpreso que a única morte nesta prova, ocorrido na sexta edição, tenha sido devido ao calor e não a um atropelamento..

Um pouco mais a frente, acho que a partir do km 6 da prova e até aproximadamente o km 18 a pista torna-se rumo Nordeste e, como eu havia comentado antes, o vento estava programado para soprar exatamente deste quadrante e com alta intensidade (ou seja, contra e de cara para os corredores).. Essa parte foi dura pois não mais apenas os carros que passavam eram responsáveis por levantar poeira, rajadas de ventos também faziam isso, além de desequilibrar-nos por instantes.
Ainda neste quadro difícil, os postos com água estavam escassos (acho que foram 4 com água e apenas 1 com suco/refri Fruki e, pior, estavam muito longe uns dos outros). Sorte que eu tinha meu apoio técnico ao lado, me acompanhando.. e, assim, pude até dar alguns carbos para outros corredores que já estavam morrendo e oferecer Gatorade também... tive também de regular com outros pois a escassez de água e minha distribuição de insumos poderia prejudicar a mim também ou até a meu suporte ciclístico...

Km 23 - 2 horas e 24 minutos - Uff..

E, pelo km 20 eu enfrentava dificuldades; o calor de 2 horas de prova colocavam o astro rei à fritar pernas, braços e nucas.. o meu gps, devido a um erro, já marcava 22km e me deixava frustrado com os quilômetros que ainda faltavam.. a falta de funcionários e voluntários durante a prova fazia com que vários corredores buscassem ajuda particular e, assim, vários carros e motos começaram a levar água e carbos aos seus corredores.. uma pena.

Enfim, a chegada, as 11:31, quase 30ºC (o que é muito para esta época).
A medalha dos finishers me desapontou.. não era estilosa como a do ano passado... era uma comum, igual as rústicas de 5km, com um adesivinho mal impresso e, no meu caso (percebi depois) trincada.
Da chegada corri para as frutas, para agarrar melancias e bananas e ouvir o aviso; "São só para quem fez os 24!!"..
Ah, me poupe!! Peguei um pedaço para mim e outro para a Keith e teria pegado para quem quisesse pois estava irritado com a falta de consideração com corredores e nossos acompanhantes.

Depois de algum tempo me recompondo fomos almoçar o galeto que está incluso na inscrição. Estava tudo muito bom e bem feito.. e era feito por: Arroz, Macarrão, Frango, Beterraba e Cenora ralada, alface, tomate e cebola.. não sei se podia repetir pois a fila era sentido único.. mas isso era possível.

Dalí saí para ver a premiação geral e por categorias.. depois finalmente vendi alguns cadarços e, assim, recolhi minhas coisas e fui-me embora.

Cadarços Elásticos ROX!
 


SALDO FINAL;
É gostoso correr a Volta da Ilha pela natureza mas é uma prova difícil. Vale a pena se você já estiver correndo 24km/semana pois neste ano eu estou super bem fisicamente e sem dores do pós prova e, ano passado eu estava super mal neste período, rs.
Se você for correr, leve alguém de bicicleta pois ela fará a maior diferença, provindo você de água, isotônicos, frutas e etc.. E, embora seja simples, fique para comer o tal galeto!

Astá!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

VIII Volta Ilha dos Marinheiros - 24km - 1/2

Olá leitor,

Ano passado eu havia participado de uma prova de corrida de 24km aqui na cidade onde moro. Cheguei até a fazer duas postagens, do antes e do depois da prova, que você pode ler aqui e aqui pois, afinal, não sou profissional em corridas e queria dividir o minha experiência.

Gostei muito de ter participado e, por isso, me inscrevi novamente para a prova em 2013.
Vou tentar usar os mesmos passos adotados antes mas, o que posso dizer de diferente em relação 2012, é que pretendo ficar na Ilha no pós prova pois está incluso na inscrição um banquete de galeto e saladas (o que na verdade é um costume nesta prova) aos corredores e pagantes... uma vez que, além da prova em si, a Volta da Ilha é uma festa que vai até tarde!
Outro ponto diferente é que como estou correndo a mais tempo, é capaz que consiga um tempo melhor que as 2h30min da prova anterior (foram 25,5km).
Não quero ser pretencioso mas como continuei correndo por todo esse ano, acho que posso fechar os 24km com pace de 5min40seg./km e totalizar 2horas e 18 minutos de prova. Então, como fiz em 2012, a meta A é terminar a prova e a meta B é fazer o pace de 5'40" (mesmo que sejam 25,5km novamente).

Perímetro da Ilha dos Marinheiros - 24km

Uma coisa que pode ir meio contra é que este ano eu estou muito mais atarefado neste ano e não pude, por exemplo, selecionar minha alimentação com carboidratos e amidos.. além de estar um pouco ansioso que, para mim, se reflete como estresse.

De todo modo, a prova promete ser interessante pois a previsão de tempo promete céu limpo, com Sol e uma alta intensidade de ventos. O Sol atrapalha pois a prova começa tarde, as 9hr e, o vento forte pode atrapalhar pois se ele for contra metade da prova em diante, será cansativo vence-lo.

Alta intensidade de Vento Nordeste...

Não posso me esquecer de homenagear minha companheira, Keith, que também é destaque nesta prova, pois ela topou ir novamente ao meu lado, de bicicleta, me dando suporte e incentivo!

Depois conto como foi a prova, com fotos!

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Um pedágio invisível na RS-734

 
Em 2007, quando deixamos São Paulo e nos mudamos para Rio Grande, existia uma estrada que ligava a centro da cidadezinha ao bairro turístico do Balneário Cassino, chamava-se RS-734, era de pista simples, por toda sua extensão plana e poucas curvas.
Era interessante pois era algo exclusivo para os moradores daqui e que servia basicamente ao veraneio. Parecia uma estradinha bucólica, em que as charretes e carroças andavam pelo acostamento, campeiros e cavalos pastavam nas margens e, nos entroncamentos de ruas, um respeito entre quem vive ali e quem passa.
A velocidade não era regulamentada por placas. As pessoas sabiam que os trechos sem casas podia-se andar a 80 km/h e, nos trechos habitados, 60 km/h seria de bom tamanho. Havendo ainda um local com uma lombada eletrônica, de 50km/h, sendo este o único lugar sinalizado por toda sua extensão de 15km. Era tão fácil dirigir assim que não tive multas durante esse ano e, por isso, consegui acumular um bom desconto de IPVA (é uma política gaúcha em que o carro sem multas ganha desconto maior no IPVA, para pagamentos a vista, claro). Nesta época nós levavamos 15 minutos para sair de casa e chegar a FURG.
 
Mas, no fim do mesmo 2007, a política governamental mudou. Alguém vendeu o peixe de que um pólo naval (a longo tempo esperado) estava chegando para se instalar na região do "Super Porto" da cidade e que isso traria muitas melhorias aos moradores locais (frente as fábricas de adubo que atuam no mesmo local!). E, com a tal promessa, a estradinha bucólica necessitou ser "re-engenherada", com um plano de obras pronto desde 2005. Tornou-se claro a necessidade de duplicação pois o volume de carro estava incompatível com o projeto inicial, de 1980. Todos queriam isso. Eu queria isso.
 
Assim, no mesmo fim de 2007, um investimento de uns 14 milhões de reais tornou-se marco em uma grande placa de propaganda governamental localizada às margem da rodovia. Felicidade estavam nos olhos daqueles que dependiam desta melhoria.. mas poucos sabiam que o trecho destinado ao investimento não era todos os 15km de sua extensão.. eram uns 9 ou 10 que tinham mais aspecto de rodovia e não avenida. Nesses retos, largos e planos quilômetros que estavam para ser readequados, constavam ainda uma ponte com linha férrea e uma ponte sobre um arroio de uns 8 metros.
Seria então uma obra fácil e rápida. E, se fossem respeitados os direitos de ir e vir dos moradores, a rodovia poderia ter acostamento largo, sinalização e iluminação adequada, além (até) de uma pequena ciclovia, para bicicletas e transeuntes. A única alteração da rodovia, por todo 2008, foi a remoção das poucas luzes da rodovia e retirada da lombada eletrônica.
" Nas curvas dessa highway": RS-734
 
Em 2009 houve um início de planificação em alguns trechos, com saibro. Mas as obras pararam e o saibro se esvaiu com a chuva, fazendo com que, em 2010, novamente ocorresse a planificação. Neste ano ganhei uma multa por velocidade de radar móvel, em uma área descampada, de pasto. Na época eu não conhecia o limite de 60km/h daquele local (que hoje é, novamente, de 80)..
Com isso perdi os 20% de desconto de IPVA, acumulado em 2007 e 2008. E nunca mais consegui recupera-los.
 
Em 2010 a empreitada conseguiu-se duplicar alguns metros mas a ligação entre a pista simples e a dupla era tão perigosa que, por fim, continuamos com apenas a pista simples. Mesmo se houvesse, por alguns dias, um trecho em que os carros utilizava pistas separadas, o fluxo seguia de fila indiana, com um carro atrás do outro. Em 2010 ganhei outra multa, ainda mais interessante, por ultrapassar um policial rodoviário militar que, de acordo com a acusação, foi efetuada em local de faixa dupla contínua, mesmo sendo a "contramão" não utilizada pelo fluxo contrário (pois estes já utilizavam o outro lado da pista, "duplicado", como citei).  Era bem no dia do meu aniversário, fala sério. Perdi novamente a possibilidade de desconto no IPVA.
1 - Doses de perigo e novidades diárias na RS-734 (2009)
2 - Doses de perigo e novidades diárias na RS-734 (2010)
 
Durante 2011, tendo a placa "propagandonal" de 2007 ganhado uma pichação, em formato de bolo de aniversário, o governo arregaçou as mangas. Rapidamente fez alguns quilômetros de estrada, utilizando até o acostamento onde fosse preciso, deixando retornos em meio de pista, desníveis e, ainda, sem sinalização. Nessa época era possível ir de manhã por um trecho da estrada e voltar por outro, pois as alterações eram constantes e, sendo mal sinalizadas, um vandalismo frente ao morador local. As pontes ainda eram simples. Não me lembro de multas neste ano mas lembro de não ter desconto no IPVA que paguem em Janeiro de 2012.
3 - Doses de perigo e novidades diárias na RS-734 (2011)
 
2013 chegou! A estrada ainda não está completamente duplicada, ainda. A ponte do trem parece nem ter projeto para ser iniciada e, a do arroio se mostrou uma obra ainda mais perigosa pois neste trecho uma pista ficou quase um metro mais alta que o outro lado, sendo estas separadas apenas por um degrau, desta dimensão. Sem placas ou retenções é uma sorte passar por ali sem bater em algo, ou atropelar um animal, ciclista, pessoa, etc.
 4 - Doses de perigo e novidades diárias na RS-734 (2013)
 
Mas, acompanhe meu raciocínio, se você leu até aqui. A estrada custou 14 milhões.. inegável isso pois o dinheiro, mesmo mal aplicado e desviado, foi gasto, mesmo que de forma corrupta, suja ou por debaixo dos panos. E, ainda assim, a estrada não está pronta.. está perigosa, mal sinalizada, mal iluminada, mal feita mas.. não está pronta. Prova disto é que o mortômetro que fica bem defronte a "sede" da polícia militar rodoviária (desta rodovia) não para de zerar, desde 2008.
Mas, como conseguir mais dinheiro público para concluir estes serviços se não temos caixa?
E o Estado do Rio Grande do Sul sabe disso.. sempre quebrado, sem fundos e mal administrado, com dívidas e realizando contratos que prejudicam aos próprios gaúchos (leia-se pedágio e agrotóxicos, por exemplo), existe a necessidade de levantar dinheiro para pagar as obras.
Uma medida seria a implementação de uma praça de pedágio no local! Passa o problema para a iniciativa privada e, daqui a 30 anos a estrada volta a população.. A Ecosul já deve ter sondado essa possibilidade. Mas novos pedágios no RS estão proibidos, além do mais agora, em plena revolução o sistema e contra copa.
 
Então o que fazer?
Colocando o Estado onde ele pode arrecadar, dentro da forma da lei!
Radares em trechos retos e planos e blitz na periferia são ótimas fontes do braço da lei. Além do valor da multa, recebe-se a parcela do IPVA que não poderá ser deduzida!
O batalhão de Rio Grande está engajado nesta tarefa e, assim, parou de monitorar as áreas de risco da pista, seja onde ela ainda é simples (SIM, SIMPLES e em 2013!!), seja quando chamada frente um engarrafamento que leva motoristas a usarem o pasto para furar fila, seja quando a pista, sem escoamento, está perigosa, seja quando um cavalo está solto em suas margens. O batalhão está apenas nos locais adequadamente mal sinalizados onde é possível arrecadar.
Olhos do Estado, na padaria e fiscalizando motoristas na RS-734 (2013)
 
E hoje, dia desta postagem, próximo das 11hrs da manhã,  (acho que) ganhei uma multa de velocidade, por radar móvel. Prepare-se para uma narrativa:
Vinha em um trecho TRIPLICADO (UAU!! Sim, são 1200m desta forma) a uns 65 km/h, conversando sobre uma matéria do Jornal Agora, sobre agrotóxicos utilizados no solo gaúcho e, que foram proibidos (porque será). Quando percebi que uma caixa preta, disfarçada de resto de construção, eram os olhos do Estado, já era tarde.. PQP!! Mas qual era a velocidade ali?? Um semáforo "piscante" que existe bem naquele ponto não estava piscando, já que não era hora de crianças se arriscarem para cruzar a pista.
Tive de percorrer os 4 quilômetros até o retorno e voltar pois o dia parecia ter começado ruim.
Parei o carro e saí com o celular na mão, para tirar fotos.. Mas, cadê o guardinha? Cadê a viatura? Será que vou levar um tiro por tirar fotos? Click, click, click, click..
Cadê as placas de velocidade ou de radar presente? Ah, tem uma do outro lado da pista! 80km/h, ufa! "Pérai", vou mais longe, bater uma panorâmica.. nenhuma outra placa.. nenhum aviso de radares, apenas do tal semáforo piscante. ACHEI!.. bem no chão! Quase apagada pois foi pintada com tinta errada, que não aguenta tráfego de carros. Dizia "S0".. será 50? Apagado assim pode ser 60.. ou até 80, porque não? mas 50 o que? Metros para o semáforo? Será a velocidade? Mas do outro lado da pista, no mesmo local, tem uma redondinha, de pé, a 80km/h.. Não pode ser.. Além do que, quando se entra nessa rodovia, neste trecho triplicado (UAU!!), indo nesta direção, existe uma boa placa avisando sobre velocidades e, em nenhuma das faixas consta os 50km/h.
Você escolhe a faixa. Mas, por quanto tempo?
 
Vou bater foto.. "seguro morreu de velho"...
Click, click, click.. Enquanto encarno o paparazzi, alguns carros que passam no local freiam forte.. devem ter sido surpreendidos, como eu.
Finalmente saí um policial, lá de dentro da padaria que fica também neste local... Eu fico com medo, não quero ser preso, nem nada.. PAZ, sou da PAZ..
"Quer ver como funciona?" diz o uniforme..
Eu não quero ver nada, tenho um TCC para fazer ainda hoje.
 
A medida que me afasto chega uma viatura, da mesma corporação do guardinha da padaria.. o carro vinha lá da praia! E começam a desarmar o disfarce eletrônico da tal caixa preta.
Depois de arrecadar, é hora de vazar.
 
A mim restou apenas escrever aqui.. infelizmente.. para desabafar. Daqui a alguns dias pode chegar um aviso, sobre minha imprudência.. tentarei entrar com recurso mas, já considerei o IPVA integral em Janeiro de 2014.
 
O que tem isso a ver com um pedágio invisível, né? Bem, desde 2008, somados, eu já paguei alguns mil reais para o Estado, em função do uso e das condições da rodovia e, até o momento não houve nenhuma melhora efetiva na pista.
E isso não lhe parece cópia de uma das praças privadas que existem por aí?
 
Sem fiscalização nos trechos perigosos; rola de tudo.
Até ultrapassar pelo acostamento da ESQUERDA!
 
 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Um pouco de Gramado, Canela e o Café Colonial

Faz tempo que não escrevo neste blog..
É verdade, culpa da minha preguiça.. bichinho interessante!

Nesta postagem vai para citar alguns detalhes sobre uma viagem que fiz novamente, ou seja, pela segunda vez. Fui para Gramado e, claro, visitei sua vizinha Canela, ambas cidades aqui no Rio Grande do Sul.

O acesso à Gramado, a partir de POA e por carro, não é lá muito turístico.. possui um trecho "à la São Paulo", de pista dupla e muito movimentada em um trecho da BR-116 que (enquanto uma espécie de mini-rodoanel não fica pronto) esta sempre sobrecarregada. Em Novo Hamburgo se dobra a direita e até Taquará segue outra estrada melhorzinha, duplicada, mas com radares, cruzamentos e baixa velocidade (80km/h), além de um pedágio de R$2,5 aproximadamente em ambos os lados. Daí, saindo desta pista, se utiliza ainda mais outra estrada; cheia, simples e com pedágio de R$8 também em ambos os sentidos(!) mas aqui já estar-se chegando ao destino. Ah, o pedágio, além de pequeno e caro, não aceita Sem Parar ou Via Fácil..
Se você leitor não está de carro e, chegou a POA pelo Aeroporto Internacional de POA (Salgado Filho) bem, daí você pode, de lá mesmo, pegar um bom ônibus da empresa Citral, rumo Gramado. Sem stress e sem transito, a empresa oferece vendas pela net e até te pega no Airport sem a necessidade de ir até Rodoviária, carregando malas ou pagando taxi; uma beleza!! O único senão é que, comprando uma passagem no site (ou uma passagem de qualquer outra empresa do ramo), ainda existe a OBRIGATORIEDADE de trocar o vale-voucher-passagem comprado pela net pela a passagem propriamente dita, feita no guiche da Veppo, ainda dentro do aeroporto. Ali eles trocam um papel por outro apenas, e é uma burocracia que não me entra na cabeça a razão..

Bem, Gramado é muito bonita, você já sabia disso. Passa na tevê aquele festival bacana de cinema.

Quem é de SP não faz tanta questão de ir a Gramado pois pensa que ela é igual ou pior que a badaladérrema Campos do Jordão, fincada a 1700m de altura, perto da divisa com MG e RJ, desmatada por algumas enormes casas com arquitetura europeia/moderna e visitada por carrões e muita gente, exclusivamente durante o inverno. Esta era minha referência como cidade de montanha.. pois passei alguns invernos lá, na infância.

Mas, desde a primeira vez que visitei Gramado E Canela, se passou comigo o que se passou com minha namorada, meu irmão, mãe, amigos e amigas; todos de SP. Foi a impressão que a cidade paulista está mil anos atrasada em relação a turismo ou urbanização. Não é apenas um centrinho de Capivari, cheio de propagandas e brindes. A cidade gaúcha entende sua dependência com o turismo e tenta ser bela e agradável em todos os detalhes. É tudo muito bem cuidado! E tudo muito bem limpo! É tudo voltado a te agradar, de tal forma que só se entende indo ver com os próprios olhos. Por isso vá, não hesite!!

Na vez anterior que estive em Gramado, em época de Páscoa, fiquei na Pousada Colina de Pedra
Esta hospedagem é afastada do centro de Gramado, bem no meio do mato! Uma delícia de local que, além de agradável, aceita cães de pequeno e médio porte (esse era meu caso, que sorte!). Os quartos são chalés de madeira; simples, com lareira e espaço. O banheiro é igualmente simples mas conta com aquecedor a gás e é de alvenaria. Se você possui um cão companheiro, recomendo este local mas, daí, a cidade vai ficar em segundo plano pois a pousada é longe do centro, utilizando estrada de saibro e cascalho (terra) para seu acesso. O café da manhã é bem servido, em um ambiente agradável.
Nesta segunda vez que estive em Gramado, na primeira semana de Julho, tive ainda mais sorte. :)
Ficamos em um hotel a 800m do centrinho de gramado (a Av. Borges de Medeiros). Um hotel simples, é verdade, acho que seria um 2 estrelas.. ou seria melhor classificada como uma pousada 5 estrelas. Mas, despida as rotulagens, o local é excelente em custo/benefício. O prédio conta com aquecedor central, inclusive nos corredores, nos quartos e até com difusor dentro do banheiro! Além disto, roupa de cama confortável, colchão de mola, frigobar, tv lcd e um café da manhã digno de Gramado! O preço é tri-bom! Hotel Aspenhof

Mas, nem tudo é perfeito e "cheguei ao ponto que queria chegar", pois na verdade é o motivo de ter pensado em escrever aqui, a fim de avisar algum turista.
O Famoso Café Colonial de Gramado 
(o que nós fomos foi este aqui).
São muitas opções de locais, na estrada que liga Gramado e Canela. São opções de arquitetura moderna, européia, simples, etc.. com música sertaneja, fandango e etc. Mas todos com preços próximos, cerca de R$60 p/p. e não adianta ir e vir procurando um lugar mais barato.
Mas o que é um Café Colonial?
Bem, na versão oferecida aos turistas, você será servido por bolinhos fritos, rissoles, pasteis, sanduíches frios, geleia, tortas de vegetais com maionese, bolos de cenoura com cobertura de chocolate, bolos de limão e mais.. chá... café... leite.. fatias de salame e linguiças, fatias de queijo prato, mussarela e frescal.. um suco de uva em jarra, e outra uma jarra de vinho doce.. ovos mexidos.. fatia de pão preto, integral, branco, "pão de queijo", fatias de melão ou mamão.
Viu a bagunça?
E é tudo colocado na sua mesa assim que você se senta!! Tipo avalanche! Neste momento você até pensa "Puxa, que bela fartura" e, menos de uma hora depois seu estômago está avisando que a mistura não está mais descendo.. E, na mesa, acabam restando praticamente muitos pratos e pedaços de tudo que foi colocado. É muita comida, acredite.. Todos os grupos e pessoas que se submetem a esse serviço deixam a mesa "cheia" ao sair.. e se tudo aquilo que não cabe mais, será jogado fora, daí então Gramado deve ser igualmente excelente no quesito resíduos e lixo público pois a cidade é limpa e sem muitos cães soltos. Ou, o grande volume que sobra, não é necessariamente sobra, entende?
Preferia que o tal Café Colonial fizesse mais sentido. Poderiam servir a metade e cobrar a metade por exemplo. Ou servir por parte.. isso reduziria a sensação de pagar por algo caro e desperdiçar tudo, em forma de sobras. Ou poderiam dar opções em que se siga uma linha de raciocínio na refeição, por exemplo; Sequência de Cucas, Sequência de Queijos, Sequência de Frios e etc. Ou ainda e já devaneando, poderiam explicar o que é cada comida jogada em nossa mesa que torna o Café Colonial tão diferenciado que o café da manhã do nosso hotel. Logo, e finalmente, não recomendo ir a estes restaurantes, desculpe.

Prefira ir ao Garfo e Bombacha, no caminho para o Parque do Caracol.. pelo menos lá é possível ter contato com uma "atmosfera CTG" e ver um show enquanto se empanturra de carne (e saladas!). Não fui neste ainda.. mas fiquei com remorso de ter ido ao café e não ter ido conhecer um pouco mais a tal tradição gaúcha.

Já as outras belezas destas cidades eu vou deixar para você, leitor e turista, ir lá passear e escrever a respeito em seu diário ou Blog, ok?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cicloturismo - Balneário Cassino à Barra do Chui - Viagem (Parte III)


Olá visitantes, bem vindos;

Como consta no post "... Roteiro (Parte I)" e "... Planejamento (Parte II)":
Vou contar-lhes sobre minha viagem feita a bordo de bicicletas durante o Carnaval de 2013, iniciando o percurso na estátua de Iemanja, na Praia do Cassino, até os molhes da Barra do Chui, exclusivamente pela praia, acompanhado de minha namorada (Keith) e amigos - todos de bike!

As postagens ficaram dividas em 3 partes; Roteiro, Planejamento e Viagem. Assim, cada parte não é longa de mais para ser lida e, possa ser mais específica do que um grande texto, falando de tudo.


"Viagem" - parte III:


Google Earth - Arquivo kmz - Pontos de referência

Sexta-feira havia sido agitada, depois do almoço nos dedicamos à arrumação de nossas bicicletas, escolhendo e retirando coisas, encaixando com cuidado as coisas que iam, verificando distribuição dos pesos e etc.. No fim, dividimos de forma que eu levaria as roupas que julgamos necessárias para levar, as comidas mais pesadas, como os enlatados e as ferramentas das bicis. Para Keith ficou a cargo as comidas que poderíamos comer rapidamente, como frutas e barras de cereal, 2 garrafas de água, além da barraca e do sleeping.
E fomos todos tentar dormir, a quase uma da manhã.. tentar porque além da ansiedade o carnaval já bombava em algum rua perto de casa.

Bicicletas prontas para a aventura

Acordamos cedo; algo como 5:50, para dar tempo para tomar um último café da manhã e nos encontrar com os outros 4 membros do nosso grupo. Só que o dia mesmo só começou a raiar as 6:30.. ou seja, não valeria a pena pedalar antes disso, no escuro.. então apenas as 7:20 nos encontramos todos e começamos a jornada.

O grupo de bicicleteiros

Eu não havia conversado com os outros membros do grupo sobre arrumação nem nada.. nem divido o peso com eles pois eles iriam ficar um dia a mais na praia. Mas foi engraçado ver um dos ciclistas carregando 10 litros de água em 2 garrafonas, além da comida, no garfo dianteiro e ver um outro ciclista com o peso todo no guidão.. Torci para não encontrarmos areia fofa tão cedo, pois eles iriam ter dificuldades com essa configuração.

Nessa primeira pedalada seguimos até o navio Altair, a ~15km. A areia não estava muito dura e a maré estava "alta", deixando pouco espaço para pedalarmos.. e foi meio difícil. Depois do navio a areia firmou e a maré estava mais baixa.. o vento estava NE com uma força um pouco maior, incentivando um pouco mais. Nesse trecho chegamos a média -boa- de 15km/h.. os carros deixavam de existir mas ainda haviam muitas marcas de pneus na areia.. muitos pássaros à beira da água e todos os tipos de plásticos.
Pedalamos bem e paramos para almoçar (as 13hrs) apenas no Sarita, a ~55km. Ele -o Farol- não possui muito abrigo.. faz sombra, claro, mas o capim alto a sua volta não deixa nenhuma barraca ser plantada ali. Mas,  se você precisar, olhando o farol a partir da praia, à esquerda existe um grupo de Pinus, mais próximos que o próprio Sarita, que serve de bom abrigo e a entrada para esse abrigo é um pouco mais adiante que a entrada do Sarita. Se precisar de água "doce", notei que pouco mais que 800m da entrada do Sarita existe também um arroio.

Farol Sarita ok!!

Ficamos parados um bom tempo, devido ao cansaço. O vento aumentou de intensidade e as 16hrs voltamos a pedalar e decidimos que, devido ao vento favorável e a areia firme, nossa meta seria o Farolete Vergas, ainda bem distante de nós.. E pedalamos.. parávamos a cada hora, ou a cada 15km, para descansar já que a minha previsão de pedalar por duas horas era realmente absurda. O banco e as pernas não permitem isso.. O dia foi caindo e nuvens nos ajudaram a não sofrer tanto com o Sol. As 19hrs ainda não havíamos chegado, uff.. uma grande mata de pinus na beira da praia nos frustrava pois sabíamos que o Vergas é mais baixo que um farol, se parecendo com alguns troncos que ficavam mais solitários.. Pouco antes do farolete passamos por um grande arroio (havia uma placa de madeira escrito "4") e, ao definir no horizonte a pequena estrutura triangular do Vergas começamos a pedalar mais rápido, para chegar logo.
Meta atingida, com bikes escoradas no Farolete Vergas, descansamos um pouco. Ali não é um lugar protegido.. é possível armar barracas na área bem detrás do farolete mas o vento forte não torna o lugar ideal. Com isso, querendo um lugar melhor, subimos a grande duna que está junta ao Vergas, e entramos numa pequena "rua" que se forma entre os pinus. Ali sim! É uma pequena clareira, ampla e protegida, ideal para acampamentos. Embora o esforço fosse muito, de levar as bikes duna a cima, decidimos que uma noite tranquila poderia ser melhor que ficar exposto, a beira da praia.

Farolete Vergas, dunas e "rua" de pinus.

Acordamos meio cedo.. eram 8:30 e começamos a desarmar o acampamento e levar tudo de volta, pela duna, ao Vergas. O vento estava ainda NE, mas um pouco mais fraco. Seguimos então em direção ao Farol Albardão, uns 30km do Vergas. Seguimos com o mesmo ritmo, de 1 hora de pedalada por descanso.. Mas já estávamos doloridos e era difícil velocidades médias acima de 13km/h.
Assim como o Sarita, o Albardão é possível de ser visto de longe, a mais de 15km de distância.. por isso, ver o Albardão no horizonte, nossa meta matinal, não foi tão empolgante.. poucas nuvens filtravam o Sol e precisávamos de um bom descanso..
O Farol do Albardão é da Marinha do Brasil, claro. Existe uma enorme placa de Entrada Proibida na porteira que leva a ele.. Que medo, pois nossa água (6L.) estava ao fim.. O marinheiro que toma conta do local se aproximou e explicou cordialmente que poderíamos nos abrigar em uma das casas que estava vazia por se tratar de um pequeno grupo de "bicicleteiros" mas pediu para não deixar bagunça, CLARO!

Deixo aqui nossos profundos agradecimentos à Marinha do Brasil, pois a casa era nosso paraíso!

Bem abrigados, todos tomamos banhos de chuveiro, preparamos de pé nossas comidas, num fogão convencional, descansamos nos colchões e sofás e deixamos a casa arrumada ao sairmos.
P.s.: Aconselho levar o filtro de papel ou algo do gênero, para abastecer-se de água.. por ser de poço ela possui leve coloração e possui também alguma matéria flutuante pois os filtros (levei 3) entupiam.

Keith chegando ao paraíso chamado Farol Albardão

Estávamos novos. Ok, quase como novos.. nossas pernas e bundas doíam, rs. Mas estávamos lavados, com águas abastecidas, alimentados e prontos para a nossa próxima meta que seria um ponto abrigado, cheio de árvores, a 30km do Albardão, no meio dos concheiros.
Ao decorrer deste dia, o vento foi diminuindo e caindo de Leste para Sudeste.. o mar se aproveitou da situação e subiu a praia, deixando cada vez menos espaço para pedalarmos.. um pouco mais para frente já não era possível pedalar, apenas empurrar as bicis. E fizemos isso até o local onde está um contêiner azul todo corroído, mas cheio de árvores ao fundo - nossa meta. Estávamos tão cansado que não tirei fotos..  os outros 5 integrantes definiram que ficariam ali mais um dia, para descansar.. eu e a Keith armamos a barraca e fomos dormir pois queríamos chegar ao Chui no dia seguinte.

Acordamos e percebemos que o vento era agora leve, mas SE.. já de acampamento desmontado e na praia, por um bom tempo, alternávamos empurrando as bicis e pedalando. O vento contra aparente complicava ainda mais a nossa velocidade.. foi a parte mais difícil de nossa viagem pois sabíamos que faltavam cerca de 60km à Barra do Chui. Neste trecho, sem presença humana, a quantidade de plásticos assusta.. são variados e "mundiais", onde foi possível achar exemplares até com escritas orientais.. fora as estrangeiras, com letras esquisitas.. uma pena continuarmos e explorar petróleo para joga-lo no mar ou na praia.
Após o meio dia avistamos as primeiras pessoas, que pescavam. Elas nos disseram que faltavam ainda 25km ao Hermenegildo.. uff.. nossa média estava abaixo dos 8km/h.. Mas não adiantava reclamar.. era encontrar a força interior para pedalar e seguir em frente.
Depois de algumas horas passamos a avistar mais e mais carros e, as 15hrs, já era possível ver os telhados da Praia do Hermenegildo e diversas pessoas pescando. As 16hrs nos sentamos num bar - Farofa Petiscos de Praia- á beira da Praia do Hermenegildo e pedimos uma porção de pastel de queijo e 2 sucos de laranja. O atendente nos atendeu muito bem e nos deu uma notícia que nos re-motivou; dalí para a Barra eram apenas 8km pela praia!

Hermena lotado!!

Nossa, 8km era "sussa" para nós! Terminamos nossa refeição e partimos para pedalar! Antes de deixar a vila do Hermenegildo já possível avista o Farol da Barra do Chui! Que MARAVILHA!! Esse final fizemos rápido, rs. E batemos a última foto da viagem, as 18:10, com o Farol da Barra ao fundo e muitos carros uruguaios curtindo o carnaval no Brasil.

Barra do Chui e o Farol (bem pequeno) ao centro; Uhuul!!

Para quase terminar o post, sobre as informações;
Da Barra do Chui para a cidade do Chui são cerca de 9km, por asfalto.
A rodoviária do Chui é um prédio antigo, atrás do Banco do Brasil.
Não existem muitos horários para Pelotas e Rio Grande; O último para Pelotas saí as 18:30 e para Rio Grande existe apenas as 7 e 15:30.
As companhias de ônibus aceitam bicicletas, cobrando R$5/cada além da passagem, tendo a necessidade das bicis estarem limpas e as rodas estarem desmontadas.



Se você conseguiu ler até aqui, vou dar-lhe também outra recomendação, quem sabe a melhor de toda estas postagens, para realizar essa viagem;
Percorra no máximo 60km por dia; Desta maneira o percurso fica dividido; do Cassino ao Sarita, com um bom e belo lugar de abrigo; do Sarita ao Albardão, sendo o Albardão um paraíso para retomar as forças necessárias para o dia seguinte -cruzar os concheiros; do Albardão ao Hotel Abandonado, passando quase todo os concheiros e, for fim; do Hotel Abandonado ao Hermenegildo ou ainda à Barra, passando pelo fim dos concheiros. Dividindo o passeio desta forma (em 4 partes) todas as etapas ficam mais "fáceis" e se pode aproveitar melhor cada local, ao invés de apenas bater o cartão neles.
Sobre as roupas; levamos em excesso.. 2 roupas para pedalar, 1 roupa par dormir e mais um conjunto para poder voltar no ônibus seriam suficientes.. e uma capa de chuva (leve), claro.
Sobre comidas; Elas sobraram, ainda bem. Água idem.
Sobre ferramentas; Não precisei fazer nada em nossas bicicletas durante a viagem. Mas a de nossos amigos já estavam apresentando problemas.. faça a revisão antes de ir (e outra depois)!!
Sobre as dificuldades; É difícil pedalar tanto.. as poucas referências de distâncias e/ou marcos na praia tornam a viagem uma experiência sensorial diferente. E a superação própria, em concluir a viagem, é divina.

Ah, não deixe sujeiras pelo caminho e leve de recordação apenas as fotos!

Boa viagem!



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cicloturismo - Balneário Cassino à Barra do Chui - Planejamento (Parte II)


Olá visitantes, bem vindos;

Como consta no post "... Roteiro (Parte I)":
Vou contar-lhes sobre minha viagem feita a bordo de bicicletas durante o Carnaval de 2013, iniciando o percurso na estátua de Iemanja, na Praia do Cassino, até os molhes da Barra do Chui, exclusivamente pela praia, acompanhado de minha namorada (Keith) e amigos - todos de bike!

As postagens ficaram dividas em 3 partes; Roteiro, Planejamento e Viagem. Para que, assim, cada parte não seja longa de mais para ser lida e, possa ser mais específica do que um grande texto, falando de tudo.
(clique aqui para ir a "Viagem" - parte 3)


"Planejamento" - parte II:


Uma bicicleta andando na praia não é muito rápida, fato.. fizemos um teste a 10km/h em uma brisa contra, e era tão devagar que era difícil ficar de pé.. essa seria nossa velocidade de planejamento já que qualquer ganho além disso seria uma vantagem. Sobre nosso estado físico.. bem, não somos atletas profissionais nem "assistidores" de tv.. Ela é vegetariana, eu não. E costumamos correr algumas vezes por semana..

Assim, para este passeio cicloturístico, levantamos a seguinte meta:
  • 2 horas pedalando (entre 7 e 9hrs), parando 30 minutos para descansar; 
  • Seguido de 2 horas pedalando (entre 9:30 e 11:30), parando para descansar, almoçar e se proteger do sol até as 14hrs; 
  • Pedalando mais 2 horas (entre 14 e 16), descansando 30 minutos; 
  • (E, por fim) Pedalando mais 2 horas (entre 16:30 e 18:30) para terminar o dia, montando acampamento. 
Logo, seguindo esta meta, em 2 noites estaremos chegando à Barra do Chui.

Voltando para o planejamento; como montar a "parafernalha" numa bike simples, em uma viagem de cicloturísmo pela praia?
Barraca, sleeping, comida e roupas.. vão onde? As lojas virtuais de bicicletas dispõe de muitos bagageiros e alforges.. mas comprar pelo conjunto completo, de bagageiros dianteiro e traseiro, além dos alforges dianteiro e 2 traseiros, o "somante financeiro" é tão alto quanto comprar um bicicleta nova... fora o frete!
Daí não né? Fui buscar idéias em fóruns e encontrei algumas imagens interessantes para fazer o "Ctrl+c", vejam:
Caixote plástico sobre alforge baratinho e paralamas
Baú (Gow G33) de moto, paralamas e garrafinhas do garfo!
Malas de lona como alforges traseiros laterais
Porta Calhas como Porta Barracas (show!)
Que tal um reboque? :D

Ok, com estas imagens e algumas outras, projetei nossas bikes (minha e Keith)..
Vamos utilizar 2 bagageiros galvanizados, desses pretos e finos (os de alumínio são caros e quebram). Sobre os bagageiros colocamos 2 caixotes plásticos, um grande (recolhido da praia!) e um pequeno. Sobre o caixote pequeno vamos colocar as portas-canaletas, como porta-barraca. Colocamos também 2 porta garrafinhas (caramanholas) em cada uma das bikes.. pensamos em colocar no garfo dianteiro mas, ainda é uma dúvida. Cada bike ainda conta com um porta treco no quadro, para pequenas coisinhas.. Uma pochete que tenho serviu direitinho como alforge de guidão.. colocamos uma buzinha trim-trim na bici da Keith e uma plin-plin na minha.. coloquei paralamas na minha bici também e mandei o meu paralamas que tinha para a Keith..
No fim, montamos isto aqui:

Bici da Keith, com caixote e o porta-barracas
Minha bicicleta, com para-lamas e caixote

Com as bicicletas montadas, me voltei para mais planejamento:
O que comer e levar nestes dias? E não digo apenas comida e roupa.. digo quais alimentos, quais medicamentos, quais ferramentas, quais roupas, quais etc.. e não quero levar muita coisa, devido ao peso, nem pouca coisa, devido a contra-tempos.. então, após leituras, concluí que seria mais fácil separar tudo em 4 "frentes":

  • Cicloturismo "quarto" > roupas, toalhas, sleeping, barraca, lonas, etc
  • Cicloturismo "cozinha" > alimentos, panelas, talheres, pratos, utensílios, etc
  • Cicloturismo "banheiro" > higiene pessoal, remédios, pomadas, etc
  • Cicloturismo "oficina" > ferramentas, material reserva, etc

Por segurança, vamos considerar comida para mais uma noite (total de 3) e, como o Farol do Albardão é uma base habitada da Marinha, bem no meio do caminho, vamos levar água para dois dias e abastecer alí o que estiver faltando (ou seja, cerca de 4L/p.p. em 2 caramanholas e 1 garrafa pet). Para amenizar o peso, não vamos levar fogareiro nem nada parecido, afinal, é pouco tempo viajando e um churrasco vai estar sendo preparado em nossa chegada (segredo). Então, tudo que levarmos para comer será tipo abrir e comer e, para isto, fizemos a seguinte lista:

Cicloturismo "cozinha":
Nozes, castanhas, amendoim, granola, aveia, melzinho, barra de cereal, biscoito doce, biscoito salgado, maça, mexerica, uva passa, banana passa, damasco, cenoura, goiabada, salame, queijo curado, sardinha em lata, bolo, pão(feitos no dia de sair), sal e açúcar. Para completa a cozinha, vamos levar ainda as pastilhas de cloro, filtro de papel, isqueiro, uma leiteira, uma caneca alumínio, faca serrada, garfos, pratos plásticos e lona.

Em Cicloturismo "quarto" temos: Barraca, sleeping (de casal), chinelo, toalha esportiva, tênis, meia, cueca, sunga, bermuda, moleton, relógio, camiseta, capa de chuva, quebra vento, colete de sinalização, óculos escuros, boné, gorro e máquina de fotos.

Em Cicloturismo "banho" temos: Dipirona, protetor solar, Bepantol, Antiséptico, Gazes, sabonete, shampoo, escova dentes, escova cabelos, pinça, bandaid, papel higiênico, gelol, "washinass" *, repelente, protetor solar, cortador de unha, desodorante.

Em Cicloturismo "oficina" temos: chave de boca 10 a 15, chave L de 4,5 e 6mm, chave fenda e philips, canivete suiço, tesoura, arame, cabo, alicate corte, alicate boca, fita isolante, fica crepe, remendo de pneu e cola, lixa fina, vela, luva pigmentada e apito..

É bastante coisa né? Também acho.. parece que vou para a Lua ou algum lugar tão ermo quanto isso.. me lembra a cena de filme em que a mãe enrola espuma envolta do filho, para ele ir brincar, rs.

Não coloquei quantidade pois acho mais interessante você leitor saber o que levar e escolher o quanto quer levar... Entretanto, encontrei um post tão completo quanto qualquer outro, com coisas de bagagem, que vai deixar essa lista aqui (muito) pequena. Vale apenas acessar e ler (inclusive comentários) deste link: Bagagem do Cicloterras

E achei outras coisas, que considerei ótimas, como sugestões de arrumação:

Abaixo seguem mais dois blog sobre bicicletas, cicloturísmo e dicas:
livrevoosolitario.wordpress.com/
igorvargas.blogspot.com.br/

Com isso concluo a parte de planejamento;
Percebo, pela foto de minha bicicleta (preta), que o caixote está torcido.. certamente isso fará com que o caixote não aguente muito peso e/ou trepidação.. tenho que tomar cuidado. A minha bike vai ficar encarregada da "cozinha", "oficina" e parte do "quarto".
A bicicleta da Keith está bem, e nela vamos colocar a barraca e o sleeping, que ocupam muito volume mas são leves e colocar o que restar do "quarto" (na verdade, o que restar do "quarto" vai parar a bici preta).

Se houver atualizações até nossa saída eu posto aqui e, depois que voltarmos da viagem, continuo com a Parte III!
Asta!


* "Washinass" é algo oque aprendi a usar quando era escoteiro. É uma daquelas bisnagas de ketchup/mostarda que haviam nos restaurantes e bares. Uma garrafinha de água com bico tbm serve. Completando o washinass com água e, com seu bico, é possível transforma-la em uma ducha higiênica, sem a necessidade de maiores explicações.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cicloturismo - Balneário Cassino à Barra do Chui - Roteiro (Parte I)

Olá visitantes, bem vindos;

Vou contar-lhes sobre minha viagem feita a bordo de bicicletas durante o Carnaval de 2013, iniciando o percurso na estátua de Iemanja, na Praia do Cassino, até os molhes da Barra do Chui, exclusivamente pela praia, acompanhado de minha namorada (Keith) e amigos - todos de bike!

Essa postagem vai ficar divida em 3 partes; Roteiro, Planejamento e Viagem. Para que, assim, cada parte não seja longa de mais para ser lida e, possa ser mais específica do que um grande texto, falando de tudo.
(clique aqui para ir ao "Planejamento" - parte 2)
(clique aqui para ir a "Viagem" - parte 3)

"Roteiro" - parte I:

A cidade em que moro atualmente (Rio Grande, desde 2007) tem, entre outras opções, um passeio "turístico" pela praia que me chama muita a atenção e que sempre me deixou com vontade de faze-lo. Essa praia, chamada de Praia do Cassino, já foi orgulhosamente conhecida pelos visitantes e moradores locais por ser a maior praia do mundo, em extensão contínua de areia, com um comprimento de 250km.
Mas, a verdade é que, com o advento do Google Earth e a ferramente de régua deste software, foi possível verificar que desde os molhes da Barra de Rio Grande, passando pela Praia do Cassino e Praia do Hermenegildo e chegando até a Barra do Chui, existem apenas cerca de 220km de extensão contínua de areia.. e isso, somado a outras medições de outras praias gigantes, colocou-a na 10ª posição no quesito maior praia (em extensão contínua de areia) do planeta... Mas ainda assim ela ainda é a maior do Brasil e possui outras características interessantes para quem gosta de apreciar a natureza.

O Roteiro para o Cicloturísmo

Ainda sobre a história desta praia, nos ermos tempos gaúchos, esse trecho de areia era a única ligação "firme" entre a fronteira com o Uruguai e a mais antiga cidade do Rio Grande do Sul, já que a área de terras que separa estas cidades, entre a Lagoa Mirim e o mar, é uma região cheia de charcos e, entre outros, jacarés.. Existiu até um hotel à beira da praia, no meio do caminho, para os viajantes deste percurso mas que hoje se encontra abandonado.
Assim, e até os dias de hoje, existe uma cultura de utilizar a praia como "estrada" e é possível trafegar facilmente com veículos (carros, 4x4 e caminhões) por esta rota "praial", desde que as condições climáticas sejam favoráveis, claro.



Logo, o cenário do roteiro turístico será este: Percorrer os longos 220km de extensão de areia entre o Balneário Cassino e a Barra do Chui. Mas, percorrer como? Percorrer de carro seria muito fácil e, ao mesmo tempo, arriscado, pois nenhum seguro de carro cobre danos quando seu proprietário o submete ao risco. E esses danos, neste local, são encalhar o carro em um lugar deserto e/ou ter ele "lavado" pelo mar, durante uma maré cheia ou um vento Sul - aproveitando o gancho, aqui o vento Sul (frio e forte) empurra a maré para cima da praia, restando apenas as dunas e o vento Nordeste faz o seu contrário - prefira ir com vento NE. Percorrer a cavalo seria "normal" mas chato, já que o esforço todo fica a cargo do grande bichano e, além de ter que possuir um animal destes, não tem como traze-lo de volta em um ônibus.. teria que ir e voltar sobre seu lombo. A pé é possível . Abaixo consta um relato contando sobre essa experiência.. mas, usar os pés exige alto treinamento e infra estrutura já que existem apenas 2 pontos de apoio (leia-se socorro) durante a viagem; a vila da Praia do Hermenegildo a 180km e o farol de Albardão, a 125km (ambos) da Iemanja do Balneário Cassino.
Então decidimos usar Bicicletas para este perrengue (cicloturismo como alguns diriam). As bicicletas são perfeitas para este percurso. Elas possuem uma velocidade satisfatória para que a viagem não seja nem rápida de mais nem enfadonha de mais. Elas podem carregar alguns quilinhos de tralha. Elas cobram da gente o esforço, e elas podem ser desmontadas e colocadas no ônibus de volta. Bicicletas são o futuro, literalmente. E, como somos em três, utilizamos (nossas) 3 bicicletas do tipo mountain-bike simples.

Parti então para duas frentes de pesquisa; saber sobre quem, neste mundo, teria já feito esse mesmo roteiro e buscar idéias de como transformar as bikes simples em um modelo "estradeiro", sem gastar muito.
Fiquei surpreso com a facilidade em relatos desta viagem. Temos relatos de casal fazendo a viagem no inverno (uff..), família comum (pai, mãe e filho), em solo e em grupos. Abaixo estão alguns links:

Colhido ainda dos links acima, é possível ver que o roteiro é fazível e que existem seis referências durante o percurso; Navio afundado Altair (15km), Farol desativado Sarita (55km), Farolete desativado Vergas (100km), Farol Albardão (125km), Hotel Abandonado (175km) e Praia do Hermenegildo (195km). Estas referências, além de serem pontos de controle do percurso podem servir de abrigo. A seguir tem um arquivo do Google Earth, com os pontos salvos, para download: Google Earth - Arquivo kmz - Pontos de referência

Navio Altair
Farol Sarita
Farolete Vergas
Farol Albardão
Hotel abandonado
Praia do Hermenegildo
Barra do Chui

Destes relatos ainda é possível ver que as maiores dificuldades observadas são;
A área conhecida como Concheiros, localizado entre o Farol Albardão e o Hotel abandonado, por se tratar de um ponto em que a grande quantidade de conchas deixam a areia muito fofa para se pedalar, sendo necessário empurrar a bike por distância consideráveis (algo como até 25km).. mas, mesmo com essa faixa de conchas, em alguns relatos, é possível ler que é fácil cruza-la sem grandes problemas, quando a maré está baixa e a faixa de areia firme é maior.

Concheiros

Além dos Concheiros, a vastidão da praia pode ser monótona, pois é uma planície sem pontos de referência e em alguns momentos, apenas areia e dunas estarão no campo de visão, sem nenhuma pessoa ou veículo (entre o Navio Altair e a Praia do Hermenegildo).
A falta de água, claro, é sensível pois não existem pontos de abastecimento e, para isso, a solução é levar o necessário e, se preciso, se abastecer no Farol do Albardão, levando consigo umas pastilhas de cloro para, digamos, ter segurança com a água ingerida. Fora o farol, diversos arroios estarão pelo caminho. Estes arroios são oriundos das plantações de arroz ou dos charcos da região, por isso, recomenda-se filtra-la, ferve-la (se possível) e ainda assim, usar uma pastilha de cloro. Leve um coletor de água de chuva, se puder (até balde ou panela pode servir para isso).

Mar à esquerda e dunas à direta

Sobre resgates.. não há nenhum relato, graças a deus (na verdade à nós, que tomamos o cuidado de não precisar sermos resgatados). Mas, acredito, ser algo delicado..
Celular não pega durante a viagem. Claro que o Balneário Cassino, o Chui e, de repente, o Hermenegildo sejam providos de algum sinal, mas de resto, nenhuma barrinha vai subir no seu OS/Android 8.0.. E é dito que, no Hotel abandonado, existe um grande "poste" que pode ser escalado para ter maior alcance de antena.. não sei se é verdade e não quero testa-lo.
O Farol do Albardão é base da Marinha e alí você pode conseguir algum resgate.. mas se o tempo estiver ruim (vento sul forte e chuvoso), jipes não irão fazer o serviço e, dificilmente um helicóptero irá busca-lo se não for questão de vida ou morte (vale dizer que a Marinha cobra pelos honorários de um resgate - mas a vida não tem preço).
Se for uma época turística, como o Carnaval ou durante o próprio verão, existem chances de se avistarem frotilhas de jipes passeando pelo roteiro ou até de caminhões dos pescadores.. mas são poucos.. uma média menor que um, destes "eventos", por dia.

Iemanjá do Balneário Cassino

Enfim, acho que por hora, sobre este roteiro, é isso;
Os 220km de praia são ideais para servir como roteiro turístico tipo aventura.. muitas pessoas já o fizeram, diversas vezes e em diversas ocasiões.. A variação de maré é baixa, ao redor de 50cm. O vento NE, que ocorre com predominância no verão, "empurra" a água do mar para fora, deixando uma faixa maior de areia firme para pedalar. O vento Sul é frio e contra, "levantando" a água do mar, restando pouca ou nenhuma pista para bike. Água pode ser conseguida no Albardão e nos arroios, mas deve ser filtrada/fevida/clorificada... e cuidado com o excesso de Sol..

Então, se a meteorologia e o seu bom planejamento permitirem, tudo será tranqüilo...

Astá!