sábado, 7 de maio de 2011

João Pessoa à Salvador velejando

Ok, ok..

Uma amiga de João Pessoa me indicou atualizar o Blog com mais freqüência.. Afinal, muita gente tem vontade de se lançar em águas, a bordo de veleiros e as informações daqui podem ajudar nessa decisão! Mas estive atarefado e, esqueci as fotos desta viagem em minha cidade natal..

Então tá.. A viagem que fiz, a quase um mês atrás, é na verdade minha primeira viagem em vários aspectos; primeira longa viagem a bordo (navio "cvc" não conta), primeira viagem em mar aberto, primeira viagem de veleiro... Aqui no Sul eu sou mais para marinheiro de lagoa, com margem em todos os lados, por mais que não as veja, dando sensação de segurança.
Então, lógico, a sensação de frio na barriga esteve comigo durante todas as 90 horas de navegação!

A parte mais difícil, em uma navegação, é soltar as amarras. Quem vai ao mar sabe disto.. É a sensação de estar saindo de casa e esquecendo algo, sabe? Parece que nunca se está pronto! Para se ter uma idéia, nos abastecemos com 80 litros de água em galões, uma compra de comida de quase 400 reais e mais 180 litros de diesel (usamos 30L, R$40 e 90L respectivamente). E quando você lembra do que esta adiante, para enfrentar (ou seja, toda a natureza, totalmente fora de nosso controle).. as coisas parecem ficar ainda mais difícil.  Mas, acho que esse receio é bom.. deixa os sentidos aparentemente afiados. E acho que no dia que perder esse sentimento, tenho certeza, vou ao mar tão confiante que vai dar merd..

Enfim, soltar as amarras da Jacaré Village foi complicado também pois outros dois veleiros estavam saindo na mesma hora, aproveitando o estofo da maré alta... isso as 6:30 da manhã. Saíram conosco os veleiros alemães Kire e Witchcraft. Eles rumo ao Caribe e nós rumo à Salvador, 4 dias adiante, pelas nossas previões. Para fazer bonito e mostrar que sabíamos o que estávamos fazendo, saímos desde o canal, com os panos em cima:


Jacaré à popa

Logo que passamos a última baliza encarnada viramos a proa rumo sul e desfrutamos de vento pleno, leste, por boa parte do dia e pouca ondulação. A ansiedade foi tanta que não tivemos fome durante todo o dia.. apenas sede e muito protetor solar! Preparamos nosso fiel amigo Raymarine (grande Ray!) para trabalhar e, iniciamos a troca de turnos, já se preparando para a noite ( e quem disse que se consegue dormir, neste primeiro dia)... próximos a meia noite estávamos na altura do porto do Sauípe; atenção a outras embarcações!!


velas cheias


Amanhece o dia e o vento começa fraco, vindo pela alheta.. ao longo do dia nossa proa começa a ser voltada para dentro da costa, rumo à Salvador e isso acaba colocando o vento ainda mais de popa.. e cada vez mais fraco. Sorte que veleiros ketch possuem duas velas mais a genoa.. junto com o motor íamos levando a média de 5,5knots. Nada de comer.. a fome está lá no horizonte e, no barco, apenas suco e algumas frutas. Começa a noite e estamos quase no través de Maceió. Novamente atenção a movimentação de navios e pesqueiros. Nossos turnos, em duplas, de duas em duas horas fazem a noite passar rápido e sem muito cansaço.


Ray mantendo o rumo da tripulação
Velas sobre a noite


Amanheçe mais uma bela manhã! O vento é pífio e o barco vai praticamente a motor, dando jibes nas duas velas.. os socos incomodam e tentamos amarras as retrancas.. não adianta muito.. o vento fica girando a nossa popa.. próximos do almoço, mas ainda com a tripulação sem fome, o vento firma pela popa, fraco mas ideal para armar o balão do Celestial. Com mezena, mestra e (enorme) balão, o veleiro de quase 6 toneladas decola para picos de 11,7knots (ok, pode ser na surfada!). Em uma ou duas horas o vento vai ficando mais forte e começa a girar, passando rapidamente pela alheta de boreste, ponto onde resolvemos parar com a brincadeira de soltar balão... o vento vai ficando ainda mais forte. Era uma baixa pressão lá da Amazônia.. chegando ao mar. O burro da mestra se rompe, num dos muitos jibes.. o concerto, por nós, é eficiente mas logo reparamos que o ponto do burro, na retranca, está com rachaduras e a própria retranca inverga com o vento..
Recolhemos as velas e soltamos um pouco da genoa... o amigo Ray faz barulho, reclama o esforço e por vezes perde o rumo.. o veleiro ainda vai fazendo 6 a 7 knots.. no continente, sobre o Brasil, uma parede degradê, cinza, avança e, o Sol se esconde as 16horas.. previsão de mal tempo pela frente!! Tripulação séria.. pensativa.


Balonismo no mar, permitido.


As 19 já está escuro e os turnos começam... à nossa frente, raios e chuva.. no clarão dos raios percebe-se a ausência de linha no horizonte. Quanta água! Onde será que ela termina?
Com o chuva o vento cessa.. vai a zero e ficamos atento ao barômetro. A sensação de escuridão absoluta, junto com a impossibilidade de se abrir bem os olhos, devido a quantidade de água que desabava sobre nossas cabeças, não permite olhar a finco o que vem pela frente. 
Acabamos de passar Alagoas.. o que não é uma boa notícia pois é o condomínio das plataformas de petróleo e seus oleodutos..  avistamos algumas.. "iluminosas" e pomposas, castelos no meio do mar e da tempestade.. Será que alguém está nos vendo? A chuva nos deixa com frio e ensopados.. mas não temos como colocar a outra dupla no turno.. estamos pilhados e loucos para ver quando o aguaceiro vai acabar!
O dia deveria começar as 5 horas, com o Sol nascendo no horizonte.. mas ele só conseguiu mostrar sua cara bem depois, quando algumas nuvens pela popa resolveram de dissipar.. a frente ainda temos bons paredões cinzas... que vão embora. 


Chuva do passado


Pelo GPS temos previsão de chegada.. ainda faltam dois ou três way-points mas se cada espaçamento entre eles é cerca de 5 horas, a meia noite estaríamos no farol de Salvador. E foi o que aconteceu.. o dia esquentou e tivemos nosso primeiro almoço; miojo com milhos e ervilhas enlatadas, sucos e frutas! As 3 velas voltam para cima com a mestra poupada de muita pressão. O sentimento de euforia era evidente mas contido.. só se ganha depois da chegada e não antes! A tarde já temos a grande Salvador a boreste.. resolvemos aproximar o veleiro da costa para observar com mais calma.. linda visão da cidade.. o Sol se põe e luzes frenéticas, amarelas e vermelhas, andam pela orla.. parecem a 200km por hora.. que pressa!! 


Sol lá em Salvador


O aeroporto internacional nos brinda com alguns aviões decolando, passando bem sobre nossas cabeças... parece que estamos voltando ao mundo, depois de uma expedição extra-terrena. E vamos indo, 5knots.. A frente do farol da Barra, decidimos passar bem ao largo, pois existe um banco de areia que pode formar boas ondas.. e, não sendo nativos da região, não ia valer a pena economizar uma hora só para passar entre o banco e o farol.. além do que, o banco está balizado e não é tão afastado da cidade. 
Dentro da Baía de Todos os Santos, o GPS acusa o percurso:


Data log


Como é tarde, quase 1 da manhã, entramos na primeira Marina.. a Bahia Marina. Mesmo de noite, as enormes lanchas brancas, estáticas, colocam mais medo do que a chuva anterior. E se raspássemos em alguma.. cadê o raio do marinheiro da marinha??? Quando ele apareçe, nos coloca no meio de dois iates que chamei de Gigante e Montanha, em homenagem a meus dogs do Sul.. Fomos dormir depois de um bom banho quente!! De manhã, a constatação; a Bahia vai bem, muito bem, mesmo que apenas para alguns.


Bahia rica, muito rica.


A bagunça de nosso veleiro nos deixa evidentemente fora do grupo dos Flutuantes Brancos e Estáticos, Cheios de Marinheiros, Lavando Tudo, ao Som do Samba. Embora a riqueza do local, com milhões sob a água, seja um sonho deslumbrante.. não é recomendado sair andando da tal marina (a realidade está na esquina).. então saímos de barco mesmo.. uma mensalidade, alí na água, pode sair o preço de uma moto na terra.. que loucura! O vizinho TENAB, lugar para onde fomos, cheio de extrangeiros é mais módico.. uma vaga na água pode comprar uma moto na terra.. mas em 3 meses de estadia. Iemanjá e Neptuno devem ganhar parte desse din din de barbada.. afinal o jardim é deles! Mas esse trapiche do TENAB é próximo dos correios, bancos, restaurantes e do elevador lacerda.. é o lugar mais conveniente para atracar e para iniciar os reparos.


TENAB


Eu passo pouco tempo em Salvador.. como já estava perdendo aulas na faculdade, não quis ver o que a baiana tem ou nao tem.. voei para casa, sul do Sul, depois de 50 dias longe... querendo velejar de novo, mas depois de um bom descanso!!

sábado, 30 de abril de 2011

Chegando na Paraíba, João Pessoa!

Hoje ( e já em bom atraso) vou ajudar quem chega de barco, vindo do exterior para o Nordeste do Brasil, pelo porto de Cabedelo, município vizinho de João Pessoa. Como passei algumas semanas na região, pude descobrir alguns macetes que podem poupar ao viajante alguns trocados e, principalmente, tempo.

A primeira coisa a ser feita é olhar a tábua de marés. Apenas os moradores locais são capazes de zanzar (em suas  lanchas) pelo estuário do Rio Paraíba, sem colidir com algo no fundo. O balizamento é eficiente para quem vem do mar mas, uma vez dentro do porto, as bóias deixam de existir e, ainda se está longe de um bom abrigo. Ah, não é apenas a profundidade o problema.. a correnteza vazante é muito forte.

Vencidas estas etapas, é hora de ancorar. Passando o porto e rio acima, o cenário será de mata nativa nas margens.. É uma reserva e após isso (3mn), será possível ver alguns mastros, próximos à margem esquerda. É o reduto ideal para descansar, reabastecer e, se preciso, concertar algo. O local se chama Praia do Jacaré (não, não há jacarés) e é ponto turístico.

Neste ponto existem duas opções.. ancorar no ferro, em meio aos veleiros que já estão no local, ou pagar uma taxa para ficar em alguma marina, como por exemplo a "Marina Jacaré Yacht Village" (Recomendo). Bem, a 1ª opção é grátis mas complicada.. lembra-se da correnteza? Ela fará necessária a presença de bote e um motor de popa. Além disso, os trapiches são particulares.. como embarcar e desembarcar será uma diplomacia. Se esta for sua escolha, a dica é ancorar próximo aos veleiros e a vila de pescadores. Isso trará proteção e algumas facilidades da vila.
A 2ª opção é indicada para quem vai precisar de energia, água e internet (e quem não precisa, rs). A taxa cobrada é por pé de embarcação e/ou área. Existem descontos para períodos semanais, mensais e etc. Fica praticamente ao lado da vila e, além do trapiche, oferece banheiros, bar e outras coisinhas. 
Existe outra opção de marina, para quem vai "abandonar" o barco na Paraíba por longos períodos, com taxas mais baratas. É de difícil acesso, atrás da Ilha do Stuart, do outro lado do rio. Informe-se sobre o Ribeira Adveture Clube do Luciano (e vá conhecer antes, com os pequenos barcos-taxi de madeira).

Uma vez escolhido como atracar, é hora de abastecer-se.
No Brasil, água mineral pode ser comprada em galões de 20L. Você vai encontrar isso no mercado da vila dos pescadores. Para grandes compras de comida existe 2 bons mercados a 2km da Marina, na Avenida Mar Vermelho. Durante o dia é possível ir a pé e voltar de taxi (R$8 a corrida), com as compras. É possível encontrar também alguns bares e lanchonetes nesta avenida. Um bom posto de combustível é o Texaco, ao início da Avenida Mar Vermelho. Ao abastecer mais de 100L de combustível, o frete de R$10 reais (para levar a carga) é abatido.

Para almoço fora do barco, a vila de pescadores possui um restaurante, que é referência para os velejadores. O prato é feito e tem valor médio de R$7. Outras opções são os restaurantes da Marina Jacaré Clube (à direita)  e os restaurantes da própria Vila Turística Jacaré. Lembre-se que alguns pratos são para duas pessoas (ou até 3 ou 4!), por isso, não se assuste com preços e pergunte quantas pessoas são servidas. A cidade de João Pessoa possui boa gastronomia, então se preferir, pegue um taxi até a região da praia do Tambaú e divirta-se! Não há como se arrepender!!

Burocracia: Não tivemos problemas com papéis pois somos daqui.. mas senti pena de quem veio de fora e é extrangeiro.. perde-se tempo com isso, então, o melhor que posso dizer é: Não é fácil, paciência. Sugiro-lhe ler com cautela o guia que a "Marina Jacaré Yacht Village" disponibiliza em: http://www.marina-jacare-village.com/portugues/entrada_portugues.htm

Se houver reparos a serem feitos, você pode contar com um Inglês muito simpático e conhecido na região: Bryan Stevens da Cabedelo Nautica. Outra pessoa que pode ajudar muito é uma figura chamada Neno; Neno Monteiro. As peças vão ser encontradas em lojas da Rua Maciel Pinheiro, após muito pesquisar pois as lojas não mantém seus estoques atualizados (A linha de trem metropolitano tem estação no Jacaré e na estação próxima a esta rua). Se forem peças de motores diesel por exemplo, existe um local chamado Destrito Industrial, atrás do Cemitério Boa Esperança e, para ir alí, use taxi.

De resto é sol, água de coco, calor e diversão!




quarta-feira, 2 de março de 2011

Jacaré Village - Mais 10 dias na PB

É engraçado!! E para quem não quer ficar de mal humor, é cômico! Deve ter algo a ver com a bandeira da cidade mas não sou especialista no assunto nem quero me aprofundar nele.. vou explicar a cena que ocorre e é o seguinte: 
Duas duzias de mastros e algo mais..

Você ou alguma outra pessoa acorda cedo para comprar roupas. Traje completo.
Se dirige a rua ou região da cidade onde se encontram a maioria das lojas do ramo.
Entra na loja UNIVERSO DAS ROUPAS e pergunta "Tem camiseta verde?" e o vendedor sem sair do balcão responde "Não"; "Tem calça jeans?".. o vendedor pensa e "As azuis acabaram"; "Cuecas de algodão?".. mais um tempo e "Não, só infantis".. "E meias tamanho 40?" e ouve "Não, temos tamanho 42!".. 

Você sai indignado, nem pergunta se tem moleton e entra na loja ao lado, a famosa PARAÍSO DAS MALHAS e, depois de aguardar na fila, ouve respectivamente "Temos", "Não, só jeans tamanho 38", "É a ultima cueca de algodão", "Não trabalhamos com meias" e "Moletons apenas na cor branca". 

Você se esforça, saí da loja mesmo sabendo que achou a camiseta verde e 1 cueca, percorre 400m para ir numa 3ª loja, afastada, para garantir que o fornecedor seria outro. Trata-se da ROUPAS POR + OU - 9,99. Faz as mesmas 5 perguntas, ouve "Não, não e não" e acaba levando apenas o Moleton e um par de meias.. volta, compra na 2ª loja a camiseta e a cueca e, na 1ª loja compra um jeans preto.. e retorna para casa com as compras. 

Isso é o que ocorre com quem precisa de peças por aqui. Não é brincadeira!Tenho testemunhas e vítimas para dizer que não sou o único e não sou caso isolado! Logo, os veleiros passam os dias aqui porque precisam, não porque gostam.

Agora a bandeira da cidade;
NEGO (pronuncia-se négo)

Enfim, você acaba se acostumando com a peregrinação de lojas, toda vez que descobre precisar de alguma peça fora do estoque pessoal.. Perde vários dias mas, estando com a maioria das peças em mãos e depois de muito caminhar, é hora de dar o "up-grade" no veleiro e, ir atrás de coisas para arrumar. É o que todos os cruzeiristas daqui fazem:
Definitivamente macacos

Durante essas arrumações, tanto no "porão" quanto no topo do mastro, o barco fica inviável.. e enquanto não vem a paciência de arruma-lo, no baita calorão que faz todos os dias, não dá para fazer nada! Só registrar o momento:
Você viu a chave de fenda e a fita isolante?

É preciso prender a respiração e pensar positivamente!
Mais veleiros chegam e outros se vão.. alguns para o norte e outros para o Sul.. é o mundo dos cruzeiristas; amizades rápidas e curtas mas, recomendo!
Turistas..

Para essa semana ainda vamos ter que aguardar abraçadeiras, válvulas e lâmpadas LED.. e, por hora (em breve por fim), só!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

2a. semana na Paraíba! Oush!

          Durante esta semana vária coisas ocorreram.. não que tenha sido tudo agitado, pelo contrário, tá tudo numa calma só e ainda estamos em João Pessoa. É que todo dia havia algo para resolvermos.. onde almoçar, que veleiros conhecer, o que beber, o que comprar, ONDE COMPRAR e o que mexer no Celestial por exemplo; fastigante, rs.

Depois de mais de uma semana na cidade, abusando da hospitalidade (e paciência) da Sandra e do Chico, nos mudamos para o veleiro que até aquele momento parecia oficina mecânica de tanta peça espalhada. Claro que antes de irmos, fomos a Vila Cariri para mais um menu degustacion de pratos locais. Quem estiver por JP, vá lá pois é muito bom!!
Chico, Sandra, Roberto, Thiago - Vila Cariri
Cuz cuz com carne de sol e Jerimum com carne seca

Dia 12, resolvendo questões sobre a partida de nosso motor e outras partes elétricas - pois, para quem não soube, 15 dias antes de chegarmos na PB, nosso motor interno resolveu bancar de submarino e puxou toda a água do mar que podia, para se refrescar, jogando-a para dentro do porão onde ele fica e onde não havia bomba - nosso amigo velejador e "faz tudo" Neno liga em nosso celular, avisando que estaria passando por aqui, no barco dele, um catamarã feito por ele e apelidado de Jucat..

"Ok, passa aí meu!" Mas como sei que a volta para chegar aqui é grande, desconfio do feito e continuo os afazeres.. Lá pelas 15horas vejo um bicho grande, velejando pelo meio dos veleiros atracados.. ele vem, tira a fina de outro catamarã de propósito e se aproxima.. é o próprio Neno, com uma troupe a bordo, num catamarã irado de 26 pés.. bicho grande e de corrida pois não tem cabine nem nada! O transbordo para lá é rápido e não dá tempo de pegar nem protetor, nem money nem nada.. apenas a máquina vai junto:
Perteeeenho


O passeio foi bom mas como começou tarde, foi noite a dentro! Uma volta pelas imediações de Cabedelo, com uma parada no Forte Velho para compra de mais cervas, e seguimos rumo a parte de fora da barra, entre recifes e praias da cidade.. o Sol vai se pondo e começamos a velejar anoite, em alta velocidade e no meio de vultos de barcos, com olhos de gatos.. Osso, mas divertido! Vale a pena tbm, para quem estiver em JP, comprar um CAT desse!!
Jucat Troupe
Saíndo pela barra de Cabedelo
Velejada rápida e no escuro - olhos de gato!


Passam mais alguns dias é chega o aniversário de meu irmão Pedro! Lá em São Paulo ele comemora no restaurante que gosta muito; Outback! Parebéns PEDRO!!!

Por aqui, nesta mesma noite, amarramos o bote à popa do Celestial.. com motor e tudo e como fazem todos os que estão ancorados por aqui.. e fomos dormir. É uma tranquilidade que nos faz esquecer que estamos no Brasil e que a desigualdade social ainda é um abismo de R$545, no mínimo. 
Atracando o dingue

Na manhã seguinte, o desconforto foi ver que nada mais estava lá.. "ué, eu deixei ele aqui, não deixei"?.. daí cai a ficha.. "pqp, o bote foi levado.."

Nem me importei em ficar sem o café da manhã, mergulhei e fui em busca de um canoeiro para iniciar as buscas.. com a esperança de que o vento forte da noite tivesse feito um lais de guia e uma volta do fiel se soltarem sozinhos e levarem o bote para o imenso mangue, do outro lado do rio. 
Depois de uma dezena de horas eu o encontrei, bem dentro do mangue, meio afundado, murcho (sem as 2 válvulas), dobrado e sem o motor.. que pena, pois só tenho uma válvula de reserva.. no fim, mesmo com o bote recuperado, não podemos usa-lo.
Wounded dog

Deixamos o resto do dia para refletirmos.. nosso mecânico tomou todas, caiu, e não poderia trabalhar por uns 2 dias.. coincidências de mais não são por acaso, penso eu.. A saída é atracar no Jacaré Village e ir em busca de outro conjunto usado de bote e motor.. ou comprar as válvulas de nosso bote Zodiac, que são tão difíceis de serem encontradas que suspeitamos serem elas o motivo do furto e não o motor.. aproveitamos o fds para fazer quase nada.

É bom que a tal Village possui mais de 20 barcos extrangeiros, maioria francês, e podemos praticar outros idiomas e conhecer gente nova e esquecer o incidente!
Jacaré Village
Brinquedos importados rox!!

Uma outra manhã, começando com chuva pesada, um arco-íris completo, bem do nosso lado! Definitivamente dias melhores devem estar por vir! Sem bote mas atracado e com energia do pier, partimos para arrumação e outras partes elétricas que precisam de atenção.. luzes de navegação, bombas de porão, inversores, placa solar, banco de baterias, fios, instrumentos, mastro e etc.. verificando e descobrindo!
Cadê o ouro!?

E por aí vai mais uma semana neste lado quente do país onde ou se pinga de suor ou de molhado da chuva.. não tem meio termo! Quem sabe semana que vem conseguimos os culhões para entrar no mar de vez!
Pôr do Sol no Jacaré

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

João Pessoa, rumo Sul - 1ª semana

Uma viagem começa muito antes do início da própria viagem..
A luz se acende, a idéia! E muito antes dos pés se meterem no asfalto quente, a cabeça já roda como uma locomotiva.. se esforçando em projetar pouco mais que uns 20 metros a frente do escuro e ansioso futuro.. coisas precisam ser feitas; as malas, as comidas, roupas, presentes e lembranças.. e tudo vai arrumado e encaixotado, tudo junto, esperando o que está para chegar:


João Pessoa - 1a. Semana:
O ônibus que nos levaria a Viracopos saia em 15 minutos... às 19:30. Neste mesmo instante malas estavam ainda na calçada, indecisas como seus carregadores, sobre qual rumo tomar. O rodízio nos proíbe de ir além em ação e raciocínio, será preciso ir de carro nesta parte do caminho.. a picanha será de gasolina e pedágio.

Já no aeroporto, o pessoal é criterioso; quem chega em cima da hora tem preferência. 
Embarcamos rumo João Pessoa! E quem vôa de Azul, tem mimos:
ALTITUDE: 37048ft    SPEED: 525MPH

O 1º dia, de uma viagem, deve ser bom! Mesmo que isso dê trabalho. João Pessoa parece ser muito bonita para nós, turistas. Somos recebidos por amigos e a cor da água, no mar, enche os olhos.. mas nosso plano de ação não está nem em JP nem na água do mar, por hora.. Temos que dar um jeito de ir buscar o Celestial que está escondido, na outra margem do rio da praia do Jacaré em Cabedelo, atrás de uma ilha.. a maré será alta, de 2,4m, as 16:45... tempo de sobra para achar algo para nos rebocar de lá.

O Nêno, contato de nosso taxi do aeroporto e que trabalha com um gringo, Brian, sujeito de um estaleiro que está por lá, descolou um catamarã, que será nosso reboque.. e nosso salvador! Juntam-se a nós, para somar braços, Mateus e Andréia, de um outro veleiro que também deve ir rumo Sul.

A correnteza nos atrapalha.. pode chegar a 4 nós! Mas somos muitos e estamos com sorte, com calma tiramos Celestial para uma navegada sem vela e sem motor:
Celestial

Ele vai seguindo até a bóia laranja, frente a marina jacaré clube e aguarda o conserto.
Tarefa concluída e tripulação contente, dia 1 ok, hora de fechar o barquinho e ir descansar em algum restaurante com comida regional!

O Chico e a Sandra, que nos aturam, topou irmos a um restaurante daqui;" oush, é porreta de bom" e serve a comida regional da paraíba.. dizem que lá em Brasília tem outro igual mas com 5mil m².. Mangai é o nome do local e, para quem estiver por aqui, tem que ir.. é a kilo!
Mangai - Roberto piscou.. hic.


Mais um dia se vai, outro chega e a sexta-feira já vira sábado.. fomos ao Celestial mas nada muito o que fazer no barco.. nem no dingue de apoio, com seu motor ultra moderno honda 4t que não pega nem a pau.. Na praia de Jacaré, todos observam o catamarã frencês voltar a água, depois de 2 meses a seco (operação delicada mas feita na marra,rs):
Catamarã Francês

Após o show, resta turistar por João Pessoa; nada mal! Fora passear pela orla de Tambaú, com 35ºC... Fomos  ao salão de artesanato paraíbano.. e torramos nosso money, hehehe, não tem como.. já acabou a feira mas que foi fez ótimas aquisições e negócios!
Beira mar de Tambaú
Salão de Artesanato Paraíbano


Domingão foi dia de Clássico mas os manos contra os porcos foi a tarde! Clássico começou mesmo com a ida ao Divina Itália, comer massa excepcional, servida para mim, com molhos de tomate e pães deliciosos! Gioconda é o prato da foto!
 
Prato: Gioconda


E, nesse mesmo restaurante, trabalha o Edjackson! Profissional do Tae-Kwon-Do! Procure no Google e você vai achar matérias sobre ele:
Fighter: Edjackson

Ainda neste dia, um pouco antes que o restaurante e da vitória corinthiana, passamos no Celestial para arrumar o impossível, reparem:
Caça-níquel

E assim acaba a primeira semana nossa, aqui do nordeste, com esperança de seguirmos rumo Sul, o mais perto de Angra possível.

Bons ventos!!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Vacationes Brake

Férias à quem precisa!!


vacationes


Uma rápida passada de natal na capital do Brasil, ano novo no interior, visita ao mar e glorioso retorno à terra de Rio Grande!


Para quem acompanha-nos, em breve, volto com as atualizações!