sábado, 30 de outubro de 2010

Milhas e milhas

Distâncias são relativas..


Pouco tempo depois que a Keith chegou do UY, foi minha vez de cair na estrada.
Primeiro visitar o pessoal de São Paulo! Comer boa comida, visitar bons shoppings e bons cinemas. 
Tudo como sempre cheio de gente e com filas.. com excessão da USP, de domingo, pós meio-dia.


Mas deu para aproveitar e matar um pouco da Saudade! 
O tempo que foi pouco pois bati uma única foto em SP..
No restaurante Mocotó, na Vila Medeiros, zona ultra norte de SP. Demos sorte.. com as 2,5horas de fila de espera tivemos o acaso de encontrar um pessoal por lá:




Interiorano que me tornei, longe da mordernidade e dos lançamentos, fiz ainda um roteiro non-stop pelas novidades e pude assistir corujas em vôo 3D e comer excelentes pizzas de chefs. Voilá São Paulo!
Partindo numa apressada manhã de Segunda-feira, chegamos ao GRU e enfrentamos a tal VEBJET lotada de gente no check-in. Faz parte.. é SP e a passagem estava a preço de banana.


algodão


O vôo, destino a Recife, pára em Brasília. 
A janela no avião não estava abrindo, por isso não pude jogar nada nos políticos.. uma pena.. tinha um arsenal de tranqueira na mala de mão.
Recife é igual a qualquer capital com mais de 3milhões de formigas.. Dos dois lados do avião só conseguia ver luzes de edifícios até o horizonte.. era noite.


- Rapaz, não marca bobeira em Recife hein!! Aqui é violento!


Recado dos vizinhos de assento do avião, me dando boas vindas à cidade.. acho que tentando me deixar mais confortável. 
Com isso, desisti de ir andando ao ponto de ônibus e fechei um preço de taxi.. não sei porque mas tenho a impressão que minha cutis, sem sol, daria na cara que eu não sou do lugar. Pelo menos deixo R$25 reias na cidade, com o taxi, ao invés dos R$2 da passagem de ônibus. Espero que os ajude.


Não sei quem foi João Pessoa.. nem seu irmão. O Nordeste é de fato o pedaço esquecido do Brasil.


Pela estrada entre as cidades reparei algo interessante.. Diversas casas não possuiam janelas. Somente o buraco na parede, com uma boa grade de aço por fora. O calor é infernal por essas bandas..


- Oxi, não marquia bobeira em João Pessoa!! Aqui é arretado de violento!


Recado dos vizinhos de assento do busão, me dando boas vindas à cidade.. acho que tentando me deixar mais confotável. "Dejavu"..


Chegar em uma cidade, após 22hrs, não é agradável.. o jeito é ajudar os moradores e a cidade, deixando 25 reias na mão de outro taxi.. 


Mas cheguei ao destino.
Veleiros e iates, de algumas centenas de milhares de reais, dormiam as margens da vila do salário mínimo.






O mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
O, o, o, o...
De um lado esse carnaval
De outro a fome total


Tomei o remédio do descaso e consegui colocar minha cabeça no travesseiro, para dormir.


Acordei na Ribeira, onde fiquei, e ela é intocada.. muito bonita. Os coqueiros bem altos caem na água pelo tempo.. A variação de maré altera o cenário duas vezes ao dia.. 
O calor frita a fibra de vidro a ponto de chapa de padeiro. O corpo também esquenta.. torna-se molhado estando fora dágua. Ainda bem que os alísios sopram o dia inteiro.. seria impossível andar de dia se não fosse por isso.






O Celestial também está na Ribeira. Assim como outros 8 veleiros estrangeiros que, para destacar, mostro um, pequeno, de um velejador alemão, solitário, com pouco mais de 6 metros de comprimento.


Celestial
Sagelboot

Os dias passaram, arrumando toda a parafernalha do Celestial.. Era muita coisa. Só de livros devemos ter tirado uns 15kgs. Fora sujeira, pelos, cabelos, óleos, papéis e afins.. Consumiu tanto tempo que ficamos sem muitas opções para ir Velejar (pois o Ribeira é um rio pequeno)..

A saída foi acordarmos cedo para ir em direção a Recife, novamente, só que por água. São 70MN.. algo entre 140 km.. com previsão de 12hrs de viagem. Veleiros não correm. Fomos eu, Roberto, Luciano e Conchita.

A manhã da viagem começou nublada.. Ao horizonte, em nosso caminho, uma nuvem cinza, mais parecendo uma bigorna, nos aguarda. Apenas a mestra fica de pé. Aguardamos a chegada da água. Ela vem, com vento! Por um instante estamos na dúvida: Se o vento aumentar, na chuva, vai ficar ruim.. Mas não foi o que ocorreu.. a chuva veio, e o vento amainou.. o veleiro estacionou e tivemos de ir motorando. Pelo menos o cenário é bonito, com água azul azul.



Completamos o percurso em 16hrs. Cansamos. Chegamos a noite na barra de fora de Recife. Ancoramos na parte de dentro do porto e tiramos um cochilo, aguardando a maré enchente para pode chegar ao Cabangas, clube náutico da cidade.

O dia seguinte será de recuperação e descanso!

Um outro casal, do veleiro Hermes (Alladin 30'), no dia anterior teve a sorte de curricar 3 grandes peixes e, nos convidaram para um gostoso almoço. O curioso era que o veleiro deles estava com um problema no piloto automático.. e, lendo, percebi que o problema deles era o mesmo que haviamos tido com o nosso externo (o Celestial tem outro interno). Que ótimo! Arrumamos os dois, pelo problema de um!

O fim de tarde veio com um bonito por do Sol.


Com as baterias renovadas, decidimos que seria adequado voltarmos para João Pessoa. Mesmo eu tendo que pegar o avião de volta em Recife no dia seguinte, valeria mais a pena ter mais um marinheiro do que ficar apenas 3 pessoas no Barco.

Saímos tarde mas com sol! A medida que o veleiro foi rumando para o norte, o vento foi entrando pelo través, abrindo seus panos! Uma previsão de boa velejada!


Para andar pra frente, com ajuda do vento, uma enorme soma de vetores ocorre. É a soma de vários deles que empurra o bixinho.. em troca, ele aderna um pouco.


É uma troca justa.. questão de costume. Embora a velocidade dificilmente passe dos 12km/h em tempo bom, é preferível adernar a andar de lado, como os siris.
O veleiro está bem equipado. Possui diversos eletrônicos. Radar, GPS, eco, etc. E, se a volkswagen gaba-se por ter um carro que faz baliza como mágica. A gente gaba-se por ter um piloto mágico, invisível, nas mais 15hrs de viagem de volta.

Repare, motor desligado.

João Pessoa ainda está a quase 6 horas de viagem quando a noite chega.. no nordeste, o dia começa cedo e, as 17horas da tarde não tem mais Sol.. Desfrutamos o espetáculo em alto mar.


Tripulação são e salva, em João Pessoa. Após arrumar as malas, resta-me 1 hora para dormir.. as 5:19 temos (pai e filho) que pegar o trem que me levará à rodoviária e de lá, todo o caminho de volta para Rio Grande... mais de 3000km cruzados no mesmo tempo de Recife - João Pessoa. Previsão de chagada, lá, a meia noite... vou poder tentar dormir em toda a viagem.


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